Estava chegando ao ponto de ônibus, obviamente preocupada se a minha linha já tinha passado, se ia passar, se eu me atrasaria ...
Logo que sentei no banco, ouvi alguém chamar à minha direita:
- Moça?
Era um senhor, um tanto quanto maltrapilho, aparentando mais de cinquenta. Olhei para ele, ele pensou por um segundo e perguntou:
- Que horas são?
- Dez para as quatro
E voltei a virar o rosto para o lado contrário procurando pelo meu ônibus, quando:
- Moça?
Virei -me novamente,
- Você é feliz?
Olhei à minha volta e pensei, de novo essas coisas só acontecem comigo! Fiquei meio atordoada com a pergunta e com a forma intensa com a qual ele me olhava esperando a resposta. Espiei em volta novamente e procurei por alguém, desta vez para saber se teriam curiosos observando uma "moça" dando satisfação pra um bêbado.
- Sim.
Ele parou por um segundo e insistiu:
- Você é feliz ou é infeliz?
- Sou feliz, respondi
Ele baixou os olhos, pensando na minha resposta e revelou a profunda tristeza que parecia sentir.
Mais alguns segundos e:
- Moça?
Neste momento outras pessoas chegaram ao ponto de ônibus, resolvi ignorá-lo
- Moça?
E o senti vindo para mais perto de mim e cutucando o meu braço. Olhei para ele
- Você é médica?
- Não
Percebi que os outros já começavam a olhar para aquela conversa bizarra.
A cada pergunta, uma resposta breve e a cabeça virada para o outro lado para ver se ele desistia.
- Moça? O que você faz da vida, qual a sua ocupação?
- Sou estudante
- Você estuda desenho?
- Não
- Você estuda economia?
- Não
- Você estuda medicina? (mais uma vez)
- Não!
- Você estuda o que então?
- Jornalismo
- Ahhhh que bom ... repórter ... bom, né?
- É
Alguns segundos de silêncio, até que eu quaaaaseee pensei "desist..."
- Moça?
- Oi?
- Eu não sou nada! Eu sou um bêbado duro. Eu sei filosofia, eu conheço matemática, eu sei desenhar. Se você colocar uma prova na minha frente, eu faço tudo isso, eu desenho você eu desenho qualquer coisa, eu faço tudo. Eu faço, eu faço, eu faço ...
Quem sou eu
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Nunca gostei do tipo de pessoa que não tem amigos
Ahhh, eles não me enganam, chega a ser até tedioso!
A vista era muito alta, o vento muito forte, estava escuro e eu estava me sentindo a dona da razão de todas as coisas do mundo. Então, como quem quer tudo, me pus a pensar que não gosto e nunca gostei do tipo de pessoa que não tem amigos. Eu nem falo dos anti sociais, tímidos, instrospectivos e afins. Falo daquele tipinho xôxo de gente que tem a vaidade maior que a alma e sufoca todos à sua volta.
Geralmente, essas figuras parecem, a primeira vista, serem mui bem relacionadas: falam com todo mundo, todo mundo vem falar com eles, sempre têm assunto e algo a contar, são espirituosos, cheios de si, seguros deles mesmos.
São essas pessoas que, ao fim do dia, quando chegam em casa, sozinhos, deliciam-se sobre algum momento em que sobressaíram-se a alguém e caso não o tenham feito, estarão pensando como o farão.
Quando o vento ficou mais forte, meu desconforto aumentou ao pensar nesse tipo de gente. Entendi que tudo faz parte de seu único e maior plano de vida: ser um grande protagonista.
Fogem de pessoas que os sacam logo de cara, mas não vão fugir do tempo. Sou adepta do credo "as máscaras sempre caem". Já tropecei em várias que ficaram no chão ao longo do caminho e sinto que mais uma temporada de fim de máscaras está por vir.
Sem grandes perdas, logo que se dão conta, esses tipos mudam-se de endereço para começar tudo de novo. Em seus lugares, muitos outros virão.
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