Meu TCC
Quem sou eu
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Rubem Alves, Luiz Carlos Lisboa e o pouco e bom
Li o artigo de Rubem Alves de hoje publicado no Caderno C do Correio Popular de Campinas, e me deparei com Rubem defendendo os textos curtos e bons.
Como escritor e leitor de percepção que é, Rubem, em um ato de extrema generosidade literária, publica alguns dos curtos textos escritos por Luiz Carlos Lisboa, os quais Rubem confessa, mexeram com ele, considerando-os iluminados.
Aqui, reproduzo o mesmo sentimento de Rubem nas mesmas linhas:
"Um rosto é uma revelação repentina - ou pode ser um mistério que não se resolve. Tudo depende de saber amá-lo, de saber chegar perto e ficar, sem pressa ou interesse pessoal. Um rosto humano é sempre um desafio, um segredo, uma janela do espírito - tudo aquilo que nossos olhos distraídos permitem ver".
“Um monge trapista que escrevia livros — Thomas Merton — respondeu uma vez a alguém que lhe perguntou sobre o significado dessa coisa tão simples e maravilhosa que é estar atento: ‘Atenção perfeita é o estado de estar consciente daquilo que se está fazendo. Nada mais que isso”.
“A volta eterna às coisas simples acontece quando estamos de bem com o mundo e mergulhamos no curso da vida. O brilho de uma jarra, o canto de uma criança na casa vizinha, um cão que late na distância. De mãos dadas com a realidade, não somos a favor nem contra: as coisas existem e nós a amamos porque existem.”
“O primeiro homem que reuniu um buquê de flores tornou-se diferente do animal.’ A meditação japonesa, antiga de 2 mil anos, continua: ‘Tornou-se um homem porque exigiu da natureza alguma coisa mais que a satisfação de suas necessidades imediatas. Entrando no domínio da arte, reconhece a utilização do inútil”.
“Nas grandes cidades, onde o silêncio às vezes é possível nas madrugadas, há mais para ver e aprender do que geralmente se pensa. Quando muitos homens se reúnem em torno de interesses comuns, o que está em suas almas vem freqüentemente para fora, e dá forma aos objetos e às pessoas. A cidade grande é um imenso espelho, em que podemos ver nossos próprios rostos multiplicados muitas vezes. Quando nos servimos das cidades para entender o que somos, elas se tornam abençoadas.”
“Como um pássaro que voa longe quando tentamos tocar suas asas, a beleza se esconde se queremos entendê-la a nosso lado. Com gestos delicados, atenção tranquila e amor pelo desconhecido, ela se chega a nós antes que possamos dar o primeiro passo na sua direção. O imprevisto é a sua marca, o vazio é o seu chamado, o silêncio é seu prenúncio.”
Acho que, fechada em mim por 12 meses, fiquei mais sábia.
Será possível?
Como escritor e leitor de percepção que é, Rubem, em um ato de extrema generosidade literária, publica alguns dos curtos textos escritos por Luiz Carlos Lisboa, os quais Rubem confessa, mexeram com ele, considerando-os iluminados.
Aqui, reproduzo o mesmo sentimento de Rubem nas mesmas linhas:
"Um rosto é uma revelação repentina - ou pode ser um mistério que não se resolve. Tudo depende de saber amá-lo, de saber chegar perto e ficar, sem pressa ou interesse pessoal. Um rosto humano é sempre um desafio, um segredo, uma janela do espírito - tudo aquilo que nossos olhos distraídos permitem ver".
“Um monge trapista que escrevia livros — Thomas Merton — respondeu uma vez a alguém que lhe perguntou sobre o significado dessa coisa tão simples e maravilhosa que é estar atento: ‘Atenção perfeita é o estado de estar consciente daquilo que se está fazendo. Nada mais que isso”.
“A volta eterna às coisas simples acontece quando estamos de bem com o mundo e mergulhamos no curso da vida. O brilho de uma jarra, o canto de uma criança na casa vizinha, um cão que late na distância. De mãos dadas com a realidade, não somos a favor nem contra: as coisas existem e nós a amamos porque existem.”
“O primeiro homem que reuniu um buquê de flores tornou-se diferente do animal.’ A meditação japonesa, antiga de 2 mil anos, continua: ‘Tornou-se um homem porque exigiu da natureza alguma coisa mais que a satisfação de suas necessidades imediatas. Entrando no domínio da arte, reconhece a utilização do inútil”.
“Nas grandes cidades, onde o silêncio às vezes é possível nas madrugadas, há mais para ver e aprender do que geralmente se pensa. Quando muitos homens se reúnem em torno de interesses comuns, o que está em suas almas vem freqüentemente para fora, e dá forma aos objetos e às pessoas. A cidade grande é um imenso espelho, em que podemos ver nossos próprios rostos multiplicados muitas vezes. Quando nos servimos das cidades para entender o que somos, elas se tornam abençoadas.”
“Como um pássaro que voa longe quando tentamos tocar suas asas, a beleza se esconde se queremos entendê-la a nosso lado. Com gestos delicados, atenção tranquila e amor pelo desconhecido, ela se chega a nós antes que possamos dar o primeiro passo na sua direção. O imprevisto é a sua marca, o vazio é o seu chamado, o silêncio é seu prenúncio.”
Acho que, fechada em mim por 12 meses, fiquei mais sábia.
Será possível?
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Nossa casinha
Desarrume-me com o olhar
E eu desarrumo a sua cama,
Nestes meses de esperar,
Sua presença me chama.
De casinha fomos brincar,
Abro as portas do meu mundo.
Faço a mesa e sirvo o jantar,
Com o banquete te abuso e me lambuso.
É na arte de enganchar
Que eu mal me acostumei,
Em todas as fases do luar,
A cada noite o reinventei.
A criança quer continuar
E então pede que espere,
Não sei mais me desenhar
Se não for na sua pele.
sábado, 16 de outubro de 2010
Porque "nossas estrelas combinam"
A rotina já nem é mais tão maçante quando sei que vou chegar "em casa" (e já não importa qual cenário é) e irei esperar-te por tempo suficiente para um banho que sei que me trará a pele mais fresca do dia para te receber.
A semana foi curta e perfeita. Nada como ser sua. Deitar no seu peito, depois, e continuar sendo.
O filme foi ótimo, adoro te fazer adorar. Te deu brilho nos olhos, transcendência, vontade.
Tive certeza de que, com todas as diferenças, somos iguais.
E que, a diferença, falando nela, vamos fazer. ;)
Ao som de Luiza...
Paisagem - Luiza Possi
De longe na paisagem tudo é tão perfeito
Tudo é tão normal.
De perto toda coisa linda mostra algum defeito
E eu me sinto igual
Eu e você descobrimos a pólvora
A diferença nos faz tão bem.
Somos os mesmos há milhões de anos,
Amantes, errantes, humanos.
Eu guardo as lembranças em fotografias
Tudo é de papel.
Se eu já soubesse antes, eu te contaria
Sonhos de aluguel.
Eu e você já moramos no mesmo céu
Nossas estrelas combinam.
Fomos os mesmos até hoje de manhã
Seus olhos de mar me fascinam.
E agora me conta o que aconteceu
Que eu ando encostando os meus sonhos nos seus!
A semana foi curta e perfeita. Nada como ser sua. Deitar no seu peito, depois, e continuar sendo.
O filme foi ótimo, adoro te fazer adorar. Te deu brilho nos olhos, transcendência, vontade.
Tive certeza de que, com todas as diferenças, somos iguais.
E que, a diferença, falando nela, vamos fazer. ;)
Ao som de Luiza...
Paisagem - Luiza Possi
De longe na paisagem tudo é tão perfeito
Tudo é tão normal.
De perto toda coisa linda mostra algum defeito
E eu me sinto igual
Eu e você descobrimos a pólvora
A diferença nos faz tão bem.
Somos os mesmos há milhões de anos,
Amantes, errantes, humanos.
Eu guardo as lembranças em fotografias
Tudo é de papel.
Se eu já soubesse antes, eu te contaria
Sonhos de aluguel.
Eu e você já moramos no mesmo céu
Nossas estrelas combinam.
Fomos os mesmos até hoje de manhã
Seus olhos de mar me fascinam.
E agora me conta o que aconteceu
Que eu ando encostando os meus sonhos nos seus!
sábado, 10 de julho de 2010
Verdade e desespero para todos que se importam em viver
Cena do filme Revolutionary Road
- Então do que um casal como vocês têm que fugir?
- Não estamos fugindo.
- Então o que buscam em Paris?
- Um outro modo de viver. É, nós estamos fugindo, estamos fugindo da desesperada vacuidade de toda a vida aqui, certo?
- Vazio desesperado? Agora, você disse. Pessoas em abundância estão no vazio delas, mas ... é preciso muita coragem para ver o desespero. Uau!
"You know, he is the only person who seems to know what we were talking about".
"If been crazy means live life if it really cares, I don't care if we are completly insane"
Kate Winslet e Leonardo DiCaprio em um filme que realmente vale a pena. "Revolutionary Road", ou "Foi apenas um sonho", em português.
Atenção!
Este filme não é recomendado para aqueles que tem medo da verdade de viver.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Ela escreveu: acabou!
Ela escreveu em seu último e-mail: "Acordei e pensei ACABOU... acabou a tortura de ficar voltando ao passado".
Eu me levantei e tirei os meu olhos da tela do computador, pousei-os no espelho, a princípio como um descanso que pouco durou antes de dedicarem-se à analise e entrarem em minha mente como divagação. Ela conseguiu acordar aliviada porque finalmente aceitou o passado como tal. E eu, a cada nova abertura de olhos durante a noite, sou invadida pela tristeza de ver todos os fantasmas do passado entrando pela minha porta, pela minha janela e escorrendo pela minha testa no meu suor de medo.
É extremamente incomodo e triste ver que cada um desses fantasmas estão de volta. Logo agora que tenho as minhas quatro paredes?
Não tenho mais dificuldades de dormir, o cansaço físico tem sido uma bênção. Mas tenho medo dos meus sonhos, tenho medo de sonhar e de acordar às três da manhã. E sempre acordo. Pouco depois volto a acordar, desta vez com o insuportável toque do celular, mal humorada e todos os dias às 5:45.
Me enxergo novamente no espelho. Tanto tempo passou, tanta coisa mudou. Será que estou com a aparência de alguém de mais idade do que tenho ou seria só o meu cansaço? Sempre tive marcas de expressão na testa, desde muito novinha, mas parece que a minha pele já não tem o mesmo frescor.
Penso de novo nos meus fantasmas. "Meus". Por que os tenho assim, como posse se os encaro como karma? Seria minha a culpa? Não soube matá-los no passado? Mas fantasmas não morrem, é exatamente por estarem mortos que assim chamados são. Talvez eu não tenha sabido afastá-los devidamente. Com o tempo me descuidei por julgá-los um medo infantil. Eles não são, são reais e jamais vou chama-los de alucinação. Acho que é isso, eles se irritaram e agora querem me machucar. Conseguiram, sinto-me tão fragilizada ... derrotada.
Queria que eles fossem embora. Será que não basta pedir?
Volto ao computador e sinto-me completamente feliz com a outra frase dela: "Me sinto mais leve hauahau a minha terapeuta me disse que eu estou 1kg mais pesada pq engordei 1kg , mas 1kg mais leve!"
Obrigada por me fazer acreditar que um dias os fantasmas ficarão presos no meu passado e que eu também direi "ACABOU!".
Te amo! =)
Eu me levantei e tirei os meu olhos da tela do computador, pousei-os no espelho, a princípio como um descanso que pouco durou antes de dedicarem-se à analise e entrarem em minha mente como divagação. Ela conseguiu acordar aliviada porque finalmente aceitou o passado como tal. E eu, a cada nova abertura de olhos durante a noite, sou invadida pela tristeza de ver todos os fantasmas do passado entrando pela minha porta, pela minha janela e escorrendo pela minha testa no meu suor de medo.
É extremamente incomodo e triste ver que cada um desses fantasmas estão de volta. Logo agora que tenho as minhas quatro paredes?
Não tenho mais dificuldades de dormir, o cansaço físico tem sido uma bênção. Mas tenho medo dos meus sonhos, tenho medo de sonhar e de acordar às três da manhã. E sempre acordo. Pouco depois volto a acordar, desta vez com o insuportável toque do celular, mal humorada e todos os dias às 5:45.
Me enxergo novamente no espelho. Tanto tempo passou, tanta coisa mudou. Será que estou com a aparência de alguém de mais idade do que tenho ou seria só o meu cansaço? Sempre tive marcas de expressão na testa, desde muito novinha, mas parece que a minha pele já não tem o mesmo frescor.
Penso de novo nos meus fantasmas. "Meus". Por que os tenho assim, como posse se os encaro como karma? Seria minha a culpa? Não soube matá-los no passado? Mas fantasmas não morrem, é exatamente por estarem mortos que assim chamados são. Talvez eu não tenha sabido afastá-los devidamente. Com o tempo me descuidei por julgá-los um medo infantil. Eles não são, são reais e jamais vou chama-los de alucinação. Acho que é isso, eles se irritaram e agora querem me machucar. Conseguiram, sinto-me tão fragilizada ... derrotada.
Queria que eles fossem embora. Será que não basta pedir?
Volto ao computador e sinto-me completamente feliz com a outra frase dela: "Me sinto mais leve hauahau a minha terapeuta me disse que eu estou 1kg mais pesada pq engordei 1kg , mas 1kg mais leve!"
Obrigada por me fazer acreditar que um dias os fantasmas ficarão presos no meu passado e que eu também direi "ACABOU!".
Te amo! =)
sábado, 3 de abril de 2010
Momento Nostalgia - em busca da bola dourada!
Os últimos dias têm sido muito intensos. E hoje, particularmente e apesar de pedir por isso, mergulhei em mim um palmo a mais do que eu pretendia (ou esperava).
Mais tarde, fui ali, até aquela "última gaveta". Peguei o caderno encapado com o celofâne cor-de-rosa claro e com recortes da "Todateen" colados por toda a capa. Comecei a folhear o caderno onde eu costumava registrar todos os meus poemas.
Me lembrei de versos interessantíssimos, geniais, que me fizeram viajar no tempo. Quero transcrevê-los aqui. Quero sentir o prazer de ter essas palavras sugindo de minhas mãos mais uma vez:
Mais tarde, fui ali, até aquela "última gaveta". Peguei o caderno encapado com o celofâne cor-de-rosa claro e com recortes da "Todateen" colados por toda a capa. Comecei a folhear o caderno onde eu costumava registrar todos os meus poemas.
Me lembrei de versos interessantíssimos, geniais, que me fizeram viajar no tempo. Quero transcrevê-los aqui. Quero sentir o prazer de ter essas palavras sugindo de minhas mãos mais uma vez:
A fase das "paixonites"
acredito que sempre gostei de brincar com elas.
"Te procurei,
Te encontrei,
Te amei,
Você não veio.
Te odiei,
Te perdi,
Desisti,
Não mais te vi.
Até aqui."
"Esperança" (1999)
"Pena que você atravessou a rua e foi-se embora,
para nunca mais voltar."
"E atravessou a rua" (1999)
"Você roubou meu coração,
Foi tão rápido que nem vi!
Mas se tivesse pedido permissão,
Eu não o deixaria ir.
Agora fico desse jeito,
Sem coragem de admitir
Que o meu coração é seu
E que te quero só pra mim."
"Coração roubado" (2002)
"Gosto tanto de você,
Mas não posso explicar,
Eu te amo sem querer,
Sem saber o que é amar."
"Não tem explicação" (2003)
"Hoje eu estava pensando
Como eu queria escrever,
Como eu queria escrever
Uma poesia para você.
Mas eu também estava pensando
Em escrever mais coisas assim,
Foi quando decidi então
Escrever algo sobre mim.
E só você e eu
Ainda achei pouco.
Pensando em algo mais profundo,
Escrevi algo sobre o mundo."
(...)
"O meu mundo universal" (2004)
A fase dos sentimentos reprimidos
e tudo que uma adolescente com síndromede "patinho feio" pode ter
"Já tô cheia de explicar que eu não tô nem aí pra você.
Não sei o que faz todo mundo pensar
Que eu não vivo sem te ter!"
"Tô numa boa" (2003)
"Nessa madrugada escura
De uma lua crescente
Eu me sinto tão sozinha,
Eu me sinto tão doente.
(...)
Há tanta gente ao meu lado,
Pessoas que muito me amam,
Mas as feridas deixadas
Na madrugada se inflamam.
Então eu fico acordada,
Com mil feridas no pensamento,
Esperando que a dor se acabe,
Esperando passar o tempo."
"Insônia" (2003)
Fase real/existêncialista
pura pele
"You're irritating me
Making myself retrograde.
You don't have me,
But you leave my quietness away.
(...)
Maybe I'll never out
Of my world of you.
Maybe I'll only out
Of this air, this school.
(...)
I'm feeling an empty
And overflowing at the same time.
I could laught for you,
Wishing to cry.
But you are irritating me
Like an insect on my mind.
You don't have me,
But you hurted my pride.
What I'm writting
Is a shit, but I can't stop.
Now I'm thinking that my chip
Was programed to lost.
Lost in words
All the decency, all the shame
And leave the others see
What a shit is this poem."
"What a shit" (2004)
"Na raiz do meu medo
Se mostra desde cedo,
Plantado em segredo
Na minha solidão.
O destino me espreita,
Me prende e me sufoca.
Em dança mais perfeita
Me agarra e não me solta.
Me leva a seu altar
Com sonhos que eu sei,
Me fazem delirar,
Jamais esquecerei ...
E faz eu me lembrar
Que posso ter luar
No dia em que alcançar
A imensidão do mar."
(...)
"Em busca" (2005)
"Que abro caminho,
Me embranho na mata,
Me arranho no espinho
E fujo da faca,
Da lâmina quente,
Brilhante, faminta,
Que pôe-se em meu caminho,
Amedronta e excita."
"Trilhando o destino" (2005)
"(...)
Minhas noites tão vazias
Como triste melodia,
As estrelas, que ironia,
Já não fazem companhia.
(...)
Nesta brega poesia
Que escrevo com azia
Só registro a ladainha
Que já escrevi um dia."
"Ladainha" 2005
"(...)
Foi numa tarde qualquer
A solidão veio me atormentar.
Chamei por você em pensamento,
Pensei que não fosse aguentar.
Foi quando o vento se fez
E veio pra me avisar
Que o mundo estava me ouvindo
E pedia pora eu esperar."
"E de repente" (2005)
"(...)
Não direi que minha poesia é o espelho da alma,
Direi que é o vômito dela.
(...)
Mas minha alma, coitada,
De repente se calou,
Minhas idéias murcharam,
A poesia secou."
"Alimento da alma" (2005)
"(...) logo eu, que sempre gostei tanto de escrever sobre sentimentos, agora, nesse exato momento, duvido de todos eles. (...) duvido de tudo que escrevo e você deveria duvidar também! Mas essas são as minhas palavras, portanto, não me culpe se coloquei-as assim, ou então, faça as suas próprias palavras, dê vida a elas. No momento, só posso matar as minhas."
"Palavras mortas" (2005)
Especiais
da safra que guardo com carinho
"A grama se estende muito além dos meu olhos.
O vento faz carinho e provoca arrepio.
As flores são o espelho da minha alma em sonho
E eu me perco nesse delírio infantil.
Quando abro os olhos, provoco um suspiro e acordo,
Ainda sinto o vento e perfume de flores em mim.
Dou um sorriso bobo e sem perceber choro,
Me entrego sem pressa a essa emoção sem fim.
Lá fora o mundo, daqui do meu quarto escuto,
Faz muito barulho e não pára de rodar.
Daqui do meu quarto sozinha eu me culpo,
Porque nesse mundo tudo que faço é sonhar.
O tempo me traz a certeza que o tempo
Não pára nunca e por isso tratá
Trará meu amor junto com o vento
De uma primavera que um dia eu sei que virá."
(...)
(...)
"Sonhos Primaveris" (2004)
"Pode passar chuva, vento, tempestade.
Alegrias, tristezas,
Tempo, saudade.
Amores. Paixões,
Dias, meses, estações,
Eu continuo só.
Só.
Posso ir, voltar, ficar.
Ser, estar,
Viver e continuar.
Dor. Prazer.
Nascer, reproduzir, morrer.
Eu continuo só.
Só.
Passam pai, mãe, irmã,.
Vó e vô,
Doente e sã.
Amigas. Amigos.
Parentes, conhecidos, inimigos.
Eu continuo só.
Só.
Pode dar receio, desejo, curiosidade.
Idade, bobagem,
Ilusão e vontade.
Brincadeira. Paixão.
Inocência, fevor, decepção.
Eu continuo só.
Só.
Pode haver papel, caneta, idéia.
Forma, verso,
Rima e platéia.
Sinceridade. Hipocresia.
Feio, lindo, poesia.
Eu continuo só.
Só.
"Eu continuo" (2004)
Vencedora do III Concurso de Poesias Sebo Dr. Anselmo em 2006
"Transformar vida em poesia,
Palavras em oração.
Beleza e harmonia
Que escrevo com a mão.
Ando na contramão.
Não trago alegria.
Não tenho coração.
Sou toda hipocrisia.
Vivo de fantasia.
Adoro Ilusão.
Sou como água fria
No calor do verão.
Gosto de dizer não.
De ser toda vazia.
O podre do coração.
Sangue com anemia.
Amor que contagia,
Da fome eu sou o pão.
Sou anjo, sou magia.
Sou sempre o sim do não.
Grande desilusão,
Eu sou o fim do dia.
Sou sua solidão,
A sua sombra esguia.
Sou a contradição
Que de mim irradia.
Um ponto de interrogação,
Uma dúvida que se cria."
"Contradição" (2005)
"Onde, onde; Onde está?
Se esconde; Não se mostra.
É de sangue, tão exposta.
Mas perece ser tão longe,
Onde, onde se esconde?
Sobre fio, sob o véu,
Doce inferno do meu céu,
Que me arranha e reclama
Quer sair, quer se mostrar.
Onde, onde, então onde?
Será onde que está?
Ventre puro e maduro
Já apodrece no escuro,
Falta espaço, falta ar
Pra sair, se libertar.
Onde, onde,
Onde está?"
"Pureza passada" (2005)
segunda-feira, 8 de março de 2010
O patinho e a bacia
Auto-conhecimento (será que segundo a nova ortografia ainda é assim que se escreve?).
Retomada de pontos de vista. Vamos treinar novamente o paladar aos velhos gostos.
Eu gosto de vestir preto. Assumo que sou introspectiva. Tenho uma queda gigante pelas causas das minorias. Acho que os bêbados, fumantes, boêmios e melancólicos são, por direito do tanto sofrer, os que na verdade sempre estiveram com a razão.
Quando olho para o que sonhei pra mim aos oito, posso me considerer uma grande e talentosa atriz derrotada pela covardia.
Ainda amo a poesia, mas confesso que me sinto uma poetisa mal lapidada.
Penso mesmo que correr o mundo inteiro vivendo apenas de palavras e amores e terminar sozinha por escolher ter vivido tudo (o que consequentemente nos faz acabar sem nada) é uma forma de ser feliz.
Mas hoje não saberia ser feliz sem o homem que amo e que, triste clichê, desejo com todas as minhas forças ter lindos filhinhos.
Hora de me assumir por inteira. Vamos lá patinha feia, crie coragem e pule de uma vez, ora bolas!
Retomada de pontos de vista. Vamos treinar novamente o paladar aos velhos gostos.
Eu gosto de vestir preto. Assumo que sou introspectiva. Tenho uma queda gigante pelas causas das minorias. Acho que os bêbados, fumantes, boêmios e melancólicos são, por direito do tanto sofrer, os que na verdade sempre estiveram com a razão.
Quando olho para o que sonhei pra mim aos oito, posso me considerer uma grande e talentosa atriz derrotada pela covardia.
Ainda amo a poesia, mas confesso que me sinto uma poetisa mal lapidada.
Penso mesmo que correr o mundo inteiro vivendo apenas de palavras e amores e terminar sozinha por escolher ter vivido tudo (o que consequentemente nos faz acabar sem nada) é uma forma de ser feliz.
Mas hoje não saberia ser feliz sem o homem que amo e que, triste clichê, desejo com todas as minhas forças ter lindos filhinhos.
Hora de me assumir por inteira. Vamos lá patinha feia, crie coragem e pule de uma vez, ora bolas!
domingo, 7 de março de 2010
Ao Calderari, com todo o carinho do mundo!
Eu perdi um amigo, mas não perdi uma lembrança. Vivi tão pouco da sua vida, mas na minha história você está para sempre. Ali, presente, com a alegria, o sorriso e a simplicidade que estou certa permaneceram com você nestes últimos anos em que não te vi. E se nos meses em que estivemos próximos você me irradiou este carinho contagiante, imagino o amor que permanecerá eternamente nas pessoas que te cercaram até a noite da última sexta!
Você é maravilhoso Calderari! E não consigo me referir a você no passado!
Com todo o meu amor e respeito à todos que te amam.
Muito amor,
da Amanda de 2004 e da Amanda de hoje, para sempre.
Você é maravilhoso Calderari! E não consigo me referir a você no passado!
Com todo o meu amor e respeito à todos que te amam.
Muito amor,
da Amanda de 2004 e da Amanda de hoje, para sempre.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
A garota propaganda
Flagrante do Big Brother Brasil 10, madrugada do dia 20 de fevereiro:
Toda obra tem seu público alvo ...
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Encontros - encontrei um abraço que mudou duas vidas
A Cá e o Alê se conheciam há dez anos. Eram daquele tipo de amigos de infância por osmose, na verdade amigos mesmo eram os seus pais. Durante a adolescência a Cá gostava de sair e beber. O Alê acompanhava a vida da "amiga" e a achava fútil e folgada. Com 19, Cá conheceu o Otávio, com quem começou a namorar e noivou.
Em seu 3° ano de noivado, mais especificamente durante a festa de ano novo, os pais, a família e os amigos de seus pais estavam em sua casa durante a ceia. Consequentemente, Alê também.
Meia-noite. Todos se cumprimentam, todos se abraçam, inclusive Cá e Alê. Nesse momento, nos primeiros minutos do ano de 2005, Alexandre e Carina se abraçaram. Foi o abraço de suas vidas. Ele sentiu que ela era incrivelmente querida e não folgada. Ela sentiu como se sempre devesse ter estado envolvida exatamente por aqueles braços. Eles se apaixonaram.
No dia 2 de janeiro de 2005, Carina rompeu o noivado com Otávio, que reagiu mal. Num clamor melodramático ele chegou a cortar os pulsos, sem pensar que seu sangue dava um tempero especial e fortaleciam ainda mais o romance de Carina e Alexandre.
Cá e Alê se casaram no dia 20 de dezembro de 2009. Ainda ontem ela estava super preocupada com a pintura do novo apartamento...
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Sobre "Os Maias", de Eça de Queiroz
A última conversa entre Carlos da Maia e João da Ega, dez anos após uma intensa convivência e importantes acontecimentos:
"- Falhamos a vida, menino!
- Creio que sim ... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: "vou ser assim, porque a beleza está em ser assim". E nunca se é assim; é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Às vezes melhor, mas sempre diferente."
"Uma comoção passou-lhe na alma; murmurou, travando o braço do Ega:
-É curioso! Só vivi dous anos nessa casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira!
Ega não se admirava. Só ali, no Ramalhete, ele vivera realmente daquilo que dá sabor e rêlevo à vida - a paixão.
- Muitas outras coisas dão valor à vida ... Isso é uma velha idéia de romântico, meu Ega!
- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento e não pela razão ...
Mas Carlos queria realmente saber se, no fundo, eram mais felizes esses que se dirigiam só pela razão, não se desviando nunca dela, torturando-se para se manter na sua linha inflexível, secos, hirtos, lógicos, sem emoção até o fim ...
- Creio que não - disse o Ega. - Por fora, à vista, são desconsoladores. E por dento, para eles mesmos, são talvez desconsolados. O que prova que neste lindo mundo ou tem de ser insensato, ou sensabor...
- Resumo: não vale a pena viver ...
- Depende inteiramente do estômago! - atalhou Ega."
"Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que, agora, o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear ... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tanquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada, que se chama o Eu, ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo ... Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades. (...) com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para cousa alguma ...
Ega, ao lado, ofegante, atirando as pernas magras:
- Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder ..."
E genialmente, após este discursso consolado e acomodado, Eça de Queiroz põe Carlos e Ega a correr pelas ruas, pois estão atrasados para um jantar que assumiram como compromisso, "sob a primeira claridade do luar que subia."
(... ah, românticos ...).
"- Falhamos a vida, menino!
- Creio que sim ... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: "vou ser assim, porque a beleza está em ser assim". E nunca se é assim; é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Às vezes melhor, mas sempre diferente."
"Uma comoção passou-lhe na alma; murmurou, travando o braço do Ega:
-É curioso! Só vivi dous anos nessa casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira!
Ega não se admirava. Só ali, no Ramalhete, ele vivera realmente daquilo que dá sabor e rêlevo à vida - a paixão.
- Muitas outras coisas dão valor à vida ... Isso é uma velha idéia de romântico, meu Ega!
- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento e não pela razão ...
Mas Carlos queria realmente saber se, no fundo, eram mais felizes esses que se dirigiam só pela razão, não se desviando nunca dela, torturando-se para se manter na sua linha inflexível, secos, hirtos, lógicos, sem emoção até o fim ...
- Creio que não - disse o Ega. - Por fora, à vista, são desconsoladores. E por dento, para eles mesmos, são talvez desconsolados. O que prova que neste lindo mundo ou tem de ser insensato, ou sensabor...
- Resumo: não vale a pena viver ...
- Depende inteiramente do estômago! - atalhou Ega."
"Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que, agora, o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear ... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tanquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada, que se chama o Eu, ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo ... Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades. (...) com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para cousa alguma ...
Ega, ao lado, ofegante, atirando as pernas magras:
- Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder ..."
E genialmente, após este discursso consolado e acomodado, Eça de Queiroz põe Carlos e Ega a correr pelas ruas, pois estão atrasados para um jantar que assumiram como compromisso, "sob a primeira claridade do luar que subia."
Ter lido os Maias, durante o primeiro e grande parte do segundo tomo, foi, para mim, uma interessante viagem sobre a exposição dos costumes e idéias lisboetas do século XIX. Foi ainda uma deliciosa distração sobre as discussões políticas e literárias destes personagens que viviam a uma época em que eram-se os dias, um após o outro, sem atropelamento. Uma época em que o tempo ainda não tinha tanta pressa. O livro foi também um espelho de identificação em seus momentos de paixão, especialmente entre Carlos e Maria Eduarda.
Mas foi sobretudo ao findar do segundo tomo, nos trechos das últimas páginas aqui transcritas, que a obra arrasou-me completamente. As imagens de Carlos da Maia voltando a um passado que em dois anos resumiu toda a sua existência é de uma beleza e uma tristeza tão emocionantes que apenas quem nunca foi feliz em algum momento da vida, ou é feliz e não tem medo de perder essa felicidade seria incapaz de compreender, de viver, de sentir. Enfim, estou aos prantos!
(... ah, românticos ...).
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Diário de Férias - a mídia e blá, blá, blá
O dueto entre Celso Zucatelli e o Espremedor de Laranjas!
Pela manhã, a voz de Cris Flores, apresentadora do Hoje em Dia, vem da TV já ligada na cozinha e me anuncia que Sheila Mello é a nova eliminada de A Fazenda 2. Entre espremer laranjas e me perguntar por que o insuportável do outro apresentador, Celso Zucatelli, não cala a boca, eu me lembro da coletânea do Dominguinhos que baixei da internet e prometo para mim mesma que assim que não tiver mais que estar na cozinha sufocada pelas frases de Zucatelli e pelo barulho do espremedor, serão as melodias de Dominguinhos que vão ressoar pela casa.
Assaltos à bancos em cidades no interior estão para Lampião assim como Hannibal Lecter
Depois do almoço, ainda ouvindo Elba Ramalho cantar De Volta pro Meu Aconchego, pego no sono. Acabo sonhando com um repórter da Globo cobrindo o caso Hannibal Lecter e comparando-o com Lampião. É isso que dá, eu ter assistido a primeira matéria do Fantástico de ontem, em que assaltos a bancos de pequenas cidades estavam sendo comparados com os movimentos do Cangaço. Quando ouço tamanhas bobagens costumo mesmo ter pesadelo com elas. Pesou no sonho também o fato de eu ter ficado assistindo Silêncio dos Inocentes até as 3 da manhã.
"A Vida de David Gale" e a Filosofia de Lacan (agora é sério)
Melhor seria ter sonhado com Kevin Sapacey em A Vida de David Gale, que assisti na tarde de ontem. Especialmente em uma das cenas iniciais do filme quando ele está lecionando sobre Lacan e diz que:
“As fantasias tem de ser irreais, porque no momento, segundo em que consegue o que se quer já não o pode querer mais. Para poder continuar a existir o desejo tem de ter os objetos eternamente ausentes. Vocês não querem algo, querem a fantasia desse algo. Então, o desejo apóia fantasias desvairadas. Foi essa a idéia de Pascal ao dizer que somos realmente felizes quando sonhamos acordados com a felicidade futura. Daí dizer: o melhor da festa é esperar por ela, ou, cuidado com seus desejos. Não pelo fato de conseguir o que quer, mas pelo fato de não querer mais depois de conseguir. Então, a lição de Lacan é: viver de desejos nunca o fará feliz. O verdadeiro significado de ser humano é a luta por viver por idéias e ideais. E não medir a vida pelo que obtiveram em termos de desejos, mas pelos momentos de integridade, compaixão, racionalidade e até auto-sacrifício. Porque no final, a única forma de medir o significado de nossas vidas é valorizando a vida dos outros”.
E assim seguimos com as férias ...
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