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São Paulo, São Paulo, Brazil
28 anos, jornalista.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Perseguição

Estou sendo perseguida. Perseguida por seres tão asquerosos que julgo não terem alma. Esses seres esgueiram-se pelos cantos e estão prontos a invadirem a minha vida a qualquer momento, me assustam, me chateiam e vão-se embora, correm em disparada, procurando os cantos sombrios de onde saíram. Não se sabe de onde vêm, e a não ser que você esmague este tipo de criatura, não se sabe para onde vão. Quando isso acontece, elas te tiram o sono, chego a acordar no meio da noite tendo alucinações de que posso sofrer mais um ataque.

Mas o que mais me entristece, é saber que tudo acontece aqui, dentro da minha casa, debaixo do meu nariz, entre as quatro paredes dos 25m² da minha kitnet.

Estou sendo perseguida por baratinhas de verão e não há um homem nesse lugar para matá-las por mim! :'(

E agora, quem poderá me defender?


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Exposição "Eu Quero Ser Marylin Monroe"



O ano de 2012 marca o dobro da minha idade de sua morte. Ou seja, há 50 anos,  Marylin Monroe já não circula mais pelo nosso mundo. Entretanto, esta constatação se aplica apenas para sua figura física, é claro, já que seu nome é fator constane na cultura popular contemporânea.
Foi para celebrar sua memória, que esteve em São Paulo a exposição “Quero Ser Marylin Monroe!”, que já percorreu a Europa, os Estados Unidos, o Canadá e agora segue para o Japão.
Composta de fotos, quadros e frases da diva americana, a mostra instalada Cinemateca Brasileira foi acompanhada da exibição dos principais filmes estrelados pela atriz.
A exposição retrada o rosto de pele branca, cabelos loiros e uma charmosa pinta acima dos lábios, em diferentes cores, tamanhos e pontos de vista. Quem visitou a mostra se deparou com fotos da Norma Jeane Baker muito jovem, ainda antes de adotar seu nome artístico. Pode vê-la também em suas poses clássicas nos retratos da primeira edição da Playboy, ou ao lado das figuras mais importantes de sua época, como o ex-presidente americano John Kennedy . Mesmo com as interpretações de Andy Warhol, as colagens de Peter Blake e a lente de Tom Kelley, nada é mais esplendoroso  na exposição, do que o rosto marcante de Marylin Monroe.
Por Andy Warhol
Seus ditos também fizeram parte da mostra, como nos trechos: "A fama é inconstante e eu sei disso. Ela tem suas compensações, mas também tem suas desvantagens e eu experimentei os dois". "As pessoas costumavam olhar para mim como seu eu fosse algum tipo de espelho ao invés de uma pessoa. Elas não me viam, elas viam seus próprios pensamentos lascivos, e então velavam a si mesmos dizendo que eu era lasciva".

Homens, mulheres e crianças se reuniram em um mesmo ambiente e ficaram magnetizados pelo seu olhar e derretidos pelo seu sorriso, ela tornou-se atemporal. Todos querem sê-la, seja no glamour, na beleza, no mistério, ou até mesmo em sua dor. Eu Quero Ser Marylin Monroe!  
E tem como não se ver através dela?

terça-feira, 20 de março de 2012

O Valoroso Tempo dos Maduros


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do
que futuro.

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de cerejas. As
primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas,
rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em
reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos
tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos
e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturas.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral. "As pessoas não debatem conteúdos,
apenas os rótulos".

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade…

Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial
faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!

Mário Coelho Pinto de Andrade (1928/1990), poeta, ensaísta e escritor angolano

segunda-feira, 5 de março de 2012

Romance


Romance é água na boca que tem sede e champanhe no sangue de quem tem medo. Romance é o contexto da paixão, sensação de embriaguez, o estômago nas nuvens, o coração na boca, a boca em quilômetros de pele. Perder o fôlego por ansiar. Querer tanto que se funde para ser e estar.
É a dor de saber que a intensidade acaba.
Eu sinto falta e desespero. Lembranças vêm à tona em beijos e olhares, toques e palavras soltas, é querer mais, mais de tudo o que não aconteceu.
Não tenho lidado bem com essas situações inacabadas... silêncio, meias palavras.
Preciso romancear tanto quanto dependo de oxigênio. E quero que minhas frases sejam lidas e relidas para te tocar, entrarem na alma, e trazerem até você as mesmas lembranças que me rondam.
Não estou, sou apaixonada.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A experiência de "Guerra e Paz"


Palavras sempre me emocionaram mais que imagens, fato. Mas, esta preferência não anulou minha vontade de visitar os painéis "Guerra e Paz", de Cândido Portinari, em exposição no Memorial da América Latina, ali na Barra Funda, em São Paulo.
Confesso que o que mais me motivou a procurar a exposição, foi a vaidade de dizer "eu vi", para os famosos quadros do pintor brasileiro que estavam há mais de 50 anos em um hall de acesso restrito da sede da Onu, nos Eua, e que só voltaram ao Brasil porque o prédio das Nações Unidas em questão está passando por uma reforma que vai até 2013.
Sendo assim, na manhã de hoje enfrentei o sol ardido que antecipa as chuvas de verão, para suprir minha curiosidade. Percebi que o meu "programinha" viraria um espetáculo completo, assim que entrei na sala escura e gelada onde os painéis estão expostos. Os poucos metros que separam a "Guerra" da "Paz" e onde ficam todos os espectadores deslumbrados pelo que vêem, logo ficou suspenso em surpresa e emoção: são 14 metros de altura e dez de largura, de cada lado, com figuras expressivas e coloridas que oprimem quem as olha e agiganta todas as emoções que cada traço pode provocar.
Um pouco assustada, cheguei timidamente perto do quadro do fundo. De acordo com a minha filosofia ordinária particular, primeiro eu precisaria entender a guerra, pra depois contemplar a paz.
O painel "Guerra" tem mãos. Mãos e cabelos, cabelos e mães, mães e desespero, desespero e morte. São seres humanos viscerais, com olhos de dor e dedos em súplica. Ele tem cores fortes, que comovem e entram em algum lugar das nossas entranhas, que nos deixa perplexos por existir tanto encantamento na dor.

Do outro lado, o "Paz" tem cores suaves, mulheres com os cabelos para trás, sem cobrir seus rostos, sertanejos e crianças que cantam em coro e brincam em balanços. As mãos também estão lá, mas, nesse caso, dadas umas às outras, em comunhão.

Fechando com chave de ouro, a organização exibe um vídeo com poemas (entre eles um de Drummond), inspirados no pintor e em sua obra, misturando palavras e imagens e desencadeando finalmente a vontade que senti desde o início de chorar...
Sem pretensão de escrever nada parecido com uma crítica de arte, só preciso dizer que o programa é recomendadíssimo.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Só não queria dormir


Eu só não queria dormir. Mas o mesmo CD se recusa a tocar mai uma vez para mim e meu pensamento anseia pelas palavras de Emily Bronte, enquanto eu tenho em mãos Cervantes para ler...
É madrugada, faz silêncio, sinto um amor visceral pelo mundo. Podia estar chovendo, você devia estar aqui comigo. Queria que elogiasse meu olhar e meu sorriso. A vida poderia ser inteira assim, uma madrugada só nossa, em que os dedilhares no piano seguissem nossa respiração. Eu ainda não quero dormir.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Aos Meus Amigos

Eu não serei contida e nem modesta, não mesmo! Porque as últimas 24 horas foram tão incríveis que não tenho como não me gabar. Eu escrevo este texto para todos os meus amigos. Ou seja, cada um de vocês, que sabem quem são através do que sentem batendo aí dentro do peito, e que têm feito da minha vida muito mais completa e feliz!
Eu nunca fui unanimidade. Dos primeiros anos na escola, a qualquer lugar que trabalhe, não consigo agradar todo mundo. Talvez ninguém consiga, mas quem conviveu comigo sabe do que estou falando, porque simplesmente não faço questão de arrancar sorrisos de almas em que só vejo sombras. Eu sei, é polêmico falar assim e por isso muita gente não gosta de mim, fato que entendo e respeito. Por outro lado, sendo quem sou, quando olho pra trás, fico emocionada ao me dar conta dos amigos que a vida me deu de presente e escreveria uma bíblia sobre a amizade contando histórias de cada um deles. Como não tenho esta disponibilidade de tempo, apesar de merecerem, conto sobre as minhas últimas 24 horas, que figuram um pouco do que estou tentando dizer.
Uma das minhas amigas, das antigas, e que hoje mora a algumas centenas de quilômetros de distância, falou comigo ontem, por mensagem na internet, como fazemos quase que semanalmente. Como sempre, ela me falou dela, das suas dúvidas, certezas, sobre o que está pensando, o que acho de tudo. Eu, também como sempre, respondi e dei meus pitacos muito práticos do tipo "mande ele pro inferno", ou "venha trabalhar em São Paulo!", rs. No fim da conversa ela me agradeceu por eu acalmá-la. Acalmar alguém? Eu? Só sendo muito boa amiga mesmo pra me julgar capaz de tamanha proeza.
Já em casa, recebi a ligação inesperada de uma mulher muito especial. Não é qualquer um que me faz ficar conversando por mais de cinco minutos ao celular, odeio conversas por telefone. Mas, ela consegue porque consegue tudo o que quer na vida. Eu disse a ela, tenho orgulho de ser alguém para quem ela pega o telefone e liga pra bater papo. Pessoas assim têm um certo brilho e magnetismo pessoal difícil de se explicar, mas fácil de se entender quando se fica frente a frente com tais personalidades. Foi um prazer enorme ter falado um pouco com esta amiga.
No início da noite, me arrumei com a maior empolgação para encontrar uma turma de novos-amigos, feitos na nova-cidade, em um emprego semi-novo. E a empolgação se justificou no momento em que encontrei cada um deles. Eu estava ansiosa porque não os via há algumas semanas e temerosa de já não fazer mais  parte do universo daquelas pessoas animadas. Mas, como tanto desejei, estavam todos lá, me recebendo com sorrisos, brincando e conversando comigo como se nos conhecêssemos a mais tempo do que nos conhecemos de verdade e sendo recíprocos em uma inexplicável cumplicidade no olhar. Mais uma vez, fizeram da minha vida paulistana mais feliz.
Em meio às risadas e conversas com este pessoal, eu, que havia tido algumas crises de identidade durante a semana, recebo uma atualização de rede social e vejo com surpresa e muita, muita felicidade, que alguém com quem já não converso há muito tempo, me marcou publicamente na rede como "irmã de alma". Junto com minha foto ela escreveu: "Tenho muitos irmãos e irmãs de alma... só de cara consigo pensar em vários e os que lerem isso sabem que possuem sua particularidade e seu pedacinho em meu coração! Mas pra hoje eu vou colocar a foto de alguém que eu amo absurdamente, e que sinto tanta falta, mas TANTA falta. É como se um pedacinho de mim estivesse lá em Araras! Pensa em um potencial? Pensa em um coração gigantesco? Pensa em uma doçura angelical? Pensa em uma guerreira? Definitivamente, É ELA!".
Bruna, minha amiga, você me emocionou tanto com esta mensagem, que eu não estou nem conseguindo escrever isto sem chorar! Rs. É tão recíproco e veio me mostrar muito além dessas linhas em dias em que coloquei várias coisas em cheque. Só comprova o que sempre acreditei, de que sentimentos de verdade não se desgastam com distância e afastamento. Amigos são aqueles que a gente pode ficar por muito tempo sem se falar e que quando se fala, percebe que nada mudou. Não é?
Por último, mas claro que não menos importante, topei ir pra balada paulistana, com um casal que veio fazer parte da minha vida junto com o início do meu namoro. Eu posso dizer que tive a sorte de ganhar não só um namorado, mas mais dois amigos. São duas das pessoas mais educadas que conheço, gentis e maduras. E com toda nossa "maturidade", sai de vela com os dois e bebi muito além do que deveria, simplesmente porque confio em ambos de olhos fechados. Foi com muito mojito que dançamos demais, enquanto por dentro, eu precisava comemorar a vida, com um imenso sentimento de gratidão pelas pessoas que cruzam o meu caminho.

Talvez este seja o maior post do meu blog, não sei, mas acontece que hoje, sozinha em casa, ainda com um pouco de tequila na veia e as lembranças afloradas, eu precisava agradecer e exaltar cada um de vocês. Mesmo os que não figuraram as últimas 24 horas, mas sabem o que sinto. Muito, muito, MUITO obrigada por serem meus amigos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Não Dito


Eu sai do carro embriagada de paixão.
Pela noite que não terminou,
Pelo próximo beijo que você não me deu,
Pelo chão que o seu "não" me tirou,
Pelo meu desejo que não te esqueceu.

Eu me apaixonei
Pela imagem que você criou de mim,
Porque acreditou em tudo que penso que sou
E disse desprezar amar alguém assim.

Confesse. O que te atraiu foi o meu cabelo pintado,
Meu esmalte vulgar,
E sobretudo meu comportamento:
Petulantemente descomportado.

Mas, quando seus olhos perceberam
Que senti paixão a despeito de atrevimento
E que tive medo te perder,
Que queria ser sua qualquer momento...

Então você fingiu não me querer,
Eu disse a todos que você não era para mim.
Inúmeras vezes a vida quase nos entregou
E você e eu seguimos fingindo até o fim.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Porta Afora


Depois do vinho tomado e da cama desarrumada, você me deixa no meio da noite. E como a Cinderela que perde seu brilho, a minha casa volta a ser abóbora. Eu avanço porta adentro, só o seu cheiro ficou pra trás, junto à lembrança de que você me abraçou pela cintura como  se eu pudesse fazer parte do seu corpo, enquanto você fez parte do meu, dizendo que adorava a maquiagem preta nos meus olhos. Eu te beijei como se sua boca fosse minha fonte de sobrevivência. Você trilhou os quilômetros da saudade. Minha cama ficou marcada. Seu cabelo ficou desarrumado. Eu te deixei ser racional. Você me deixou com a poesia.