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São Paulo, São Paulo, Brazil
28 anos, jornalista.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Encontros - Encontrei um taxista bem humorado

- Entre cinco e oito minutos
- Ok.



E desci pelo elevador, dei tchau pro porteiro e fiquei esperando o taxi em frente ao prédio. Onze minutos e nada. Liguei na central:


- Central? Meu taxi ainda não ...
Avistei o Taxi.
- Nada não, obrigada.

- Bom diaaa!
- Bom dia!
- Esperou muito tempo?
- Uns doze minutos
- Nossa, mas essas meninas da central são ruins de serviço mesmo hein! Desculpe, hoje tem Enem e a cidade tá um caos, um monte de estudante e tá faltando carro por aí.
- Ahh, não tem problema não.
- Olha, eu sou taxista há 35 anos, 35 anos! Não gosto de fazer ninguém esperar ...

E assim começou a corrida com o taxista mais bem humorado que já encontrei!

O seu Fulano, como ele mesmo disse, é taxista há 35 anos. Me contou que trabalha de domingo a domingo, adora a profissão. Eu perguntei por que ele achava tão bom ser taxista e ele me respondeu que é porque é muito divertido. Ele sempre está conhecendo alguém novo, conversando e dando risada. Me afirmou que este bom humor foi o que fez com que ele conquistasse a vasta clientela que tem hoje: "meus clientes queridos são tão antigos que faço até corrida com hora marcada".

Tanto animo e paixão pela profissão custou a ele certa solidão. Seu fulano taxista me contou que passou por 6, sim 6 casamentos. "Nenhum deles durou porque, eu nunca tenho horário, posso sair pra uma corrida a qualquer hora, o taxi é a minha prioridade".

57 anos, natural de Uberlândia, há 37 anos morando em Campinas, ainda mantendo o sotaque mineiro e um tanto quanto galanteador, o nosso personagem aqui me disse que 90% dos seus, digo, das suas clientes são mulheres, porque segundo ele, ele entende muito do jeito feminino.

"Além disso, sempre tento deixar o meu carro bonitinho. Troco muito de roupa e de mulher, mas não tanto quanto eu troco de carro, hahahahahahaha".

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Crepúsculo? Vampiro para mim, só Conde Drácula

Eu não sei bem ao certo quando foi que começou, mas fato é que a "saga" Crepúsculo muito me desagrada. O livro de capas encrementadas, o filme com rostos (e músculos) bonitos, a histeria de fãs, e este marketing exagerado que deixa em mim a nítida sensação de que Stephenie Meyer, autora dos livros, os produz com uma finalidade única: ganhar dinheiro.
Talvez o meu desagrado venha do fato de que a "crepúsculomania" atinja duas paixões nas quais sempre me deliciei: literatura e vampirismo.
Como dedicada fã da série Harry Potter, já me livro da acusação de esnobice pelo pop. A diferença é que Rowlling, ao contrário de Stephenie Meyer começou a escrever sobre o menino bruxo sem grandes pretenções de o tornar uma celebridade. Admito que a qualidade dos três últimos livros da série piorou se comparados aos anteriores. Inegável que a certeza de que suas obras estariam em breve nas telonas influênciou sua produção e sua escrita. Acredito que neste sentido o cinema só atrapalha a literatura. Um escritor não pode dividir-se em dois. Quando escreve, tem de estar totalmente dedicado à visão de seu personagem nas páginas e não na tela. Mesmo assim, Rowlling conseguiu se manter. Já Crdepúsculo ... bem, para começar, não há criatividade nem mesmo na história central: o amor impossível de uma humana por um imortal - princípio básico de qualquer história barata e clichê (tipo todas as novelas da Globo). O sucesso barato continua quando pensamos na autora: é nítido que ela escreve no papel pensanso na tela. E pra piorar, ela é bem menos inteligênte e sofisticada que J. K. Rowling.




Neste final de semana, o Caderno 2 do Estadão dedicou uma página a Crepúsculo, cujo segundo filme, Lua Nova, estréia depois de amanhã (20) nos cinemas. Com o título "Sexo e sangue? Não, é apenas amor", a matéria compara a "saga" de Crepúsculo a mais um desdobramento de amor impossível no estilo Romeu e Julieta. O que vale mesmo a pena é ler, ao fim da página, o artigo de Antônio Gonçalves Filho, que faz uma análise sociológica e inusitada da "obra". De acordo com as teorias do jornalista, o vampiro Edward, protagonista da série, é um vampiro na coleira domesticado pela classe média. Segundo ele, não admira que a atividade sexual do vampiro teen se resuma "às preliminares mais longas de todos os tempos", o que justifica que ele e sua namoradinha Bella, a frágil, sejam ídolos da geração muito mais habituada ao "ficar" do que a construir vínculos afetivos duradouros. Afinal, se ela ceDER para ele, acaba-se a idealização romântica de um vampiro apaixonado por toda a eternidade ... . Antonio Gonçalves Filho reforça os ideais de classe média estampados em Edward quando cita o conforto do jovem vampiro que não dorme em caixão, não tem problemas com alho e não odeia água benta.

Ahhhh, bons tempos aqueles em que sinônimo de vampiro era o malvado, sedutor e inesquecível Conde Drácula, que escravizava a todos os homens e seduzia todas as mulheres ... afinal, o que mais pode querer um cara que sabe que não vai morrer nunca além de ser divertir com sangue e sexo?


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Encontros - Encontrei um bêbado duro

Estava chegando ao ponto de ônibus, obviamente preocupada se a minha linha já tinha passado, se ia passar, se eu me atrasaria ...
Logo que sentei no banco, ouvi alguém chamar à minha direita:
- Moça?
Era um senhor, um tanto quanto maltrapilho, aparentando mais de cinquenta. Olhei para ele, ele pensou por um segundo e perguntou:
- Que horas são?
- Dez para as quatro
E voltei a virar o rosto para o lado contrário procurando pelo meu ônibus, quando:
- Moça?
Virei -me novamente,
- Você é feliz?
Olhei à minha volta e pensei, de novo essas coisas só acontecem comigo! Fiquei meio atordoada com a pergunta e com a forma intensa com a qual ele me olhava esperando a resposta. Espiei em volta novamente e procurei por alguém, desta vez para saber se teriam curiosos observando uma "moça" dando satisfação pra um bêbado.
- Sim.
Ele parou por um segundo e insistiu:
- Você é feliz ou é infeliz?
- Sou feliz, respondi
Ele baixou os olhos, pensando na minha resposta e revelou a profunda tristeza que parecia sentir.
Mais alguns segundos e:
- Moça?
Neste momento outras pessoas chegaram ao ponto de ônibus, resolvi ignorá-lo
- Moça?
E o senti vindo para mais perto de mim e cutucando o meu braço. Olhei para ele
- Você é médica?
- Não
Percebi que os outros já começavam a olhar para aquela conversa bizarra.
A cada pergunta, uma resposta breve e a cabeça virada para o outro lado para ver se ele desistia.
- Moça? O que você faz da vida, qual a sua ocupação?
- Sou estudante
- Você estuda desenho?
- Não
- Você estuda economia?
- Não
- Você estuda medicina? (mais uma vez)
- Não!
- Você estuda o que então?
- Jornalismo
- Ahhhh que bom ... repórter ... bom, ?
- É
Alguns segundos de silêncio, até que eu quaaaaseee pensei "desist..."
- Moça?
- Oi?
- Eu não sou nada! Eu sou um bêbado duro. Eu sei filosofia, eu conheço matemática, eu sei desenhar. Se você colocar uma prova na minha frente, eu faço tudo isso, eu desenho você eu desenho qualquer coisa, eu faço tudo. Eu faço, eu faço, eu faço ...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Nunca gostei do tipo de pessoa que não tem amigos




Ahhh, eles não me enganam, chega a ser até tedioso!


A vista era muito alta, o vento muito forte, estava escuro e eu estava me sentindo a dona da razão de todas as coisas do mundo. Então, como quem quer tudo, me pus a pensar que não gosto e nunca gostei do tipo de pessoa que não tem amigos. Eu nem falo dos anti sociais, tímidos, instrospectivos e afins. Falo daquele tipinho xôxo de gente que tem a vaidade maior que a alma e sufoca todos à sua volta.

Geralmente, essas figuras parecem, a primeira vista, serem mui bem relacionadas: falam com todo mundo, todo mundo vem falar com eles, sempre têm assunto e algo a contar, são espirituosos, cheios de si, seguros deles mesmos.

São essas pessoas que, ao fim do dia, quando chegam em casa, sozinhos, deliciam-se sobre algum momento em que sobressaíram-se a alguém e caso não o tenham feito, estarão pensando como o farão.


Quando o vento ficou mais forte, meu desconforto aumentou ao pensar nesse tipo de gente. Entendi que tudo faz parte de seu único e maior plano de vida: ser um grande protagonista.


Fogem de pessoas que os sacam logo de cara, mas não vão fugir do tempo. Sou adepta do credo "as máscaras sempre caem". Já tropecei em várias que ficaram no chão ao longo do caminho e sinto que mais uma temporada de fim de máscaras está por vir.

Sem grandes perdas, logo que se dão conta, esses tipos mudam-se de endereço para começar tudo de novo. Em seus lugares, muitos outros virão.

domingo, 20 de setembro de 2009

Causos, histórias e outras prosas

Este é um video documentário produzido por Amanda Borsonello, Bianca Piassardo, Camila Dalla Costa, Mariana Bottan e Mikelli Lacis, alunos do curso de jornalismo da Puc-Campinas.

Este curta procurou mostrar de forma simples e bem-humorada os "causos" dos personagens que fizeram e fazem parte das histórias do centro de Campinas.

Causos, histórias e outras prosas

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Da rotina que me cerca


Atropela-me a rotina

Que da roupa mal lavada

Não me sobram esfregações,

Não realizo a passada


Da rotina que me cerca

Meu relógio não tem parada

Nem sequer param os carros

Fico com a rua não atravessada


Fica, fica

Fica a rua,

Fica o ferro,

Vai a roupa


Sou só roupa mal cuidada,

Sempre do mesmo lado da calçada.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Hoje eu quis ter um filho

Hoje eu quis ter um filho ...
Para sentir a explosão do ventre,
Para não me reconhecer no espelho.
Hoje eu quis ter um filho ...
Para sufocar o meu egoísmo,
Para diminuir a importância em mim mesma.
Hoje eu quis ter um filho ...
Para mudar as perspectivas,
Para chocar os que não têm fé.
Hoje eu quis ter um filho ...
Para jogar na sua cara o meu amor,
Para jogar nos seus braços aquele que você vai amar mais do que a mim.
Hoje eu quis ter um filho porque não suporto ser tão amada,
Para me extravasar e transcender em um novo amor.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ter ou não ter, eis a questão


O diploma universitário do jornalista não é mais pré-requisito essencial para quem quer exercer a profissão. A decisão foi tomada pelo Superior Tribunal Federal no último dia 17 de junho.
Sem mais delongas com relação à desculpa esfarrapada do STJ para a derrubada da obrigatoriedade do diploma (alegação: a obrigatoriedade do diploma jornalístico vem de uma lei autoritária, resquício do Regime Militar), ou ainda da desvalorização que ela causa aos diplomados e estudantes da profissão, uma coisa é certa: o fato já começa a gerar uma maior discussão sobre os rumos do trabalho produzido pelo profissional da notícia.
Encaro este formilhamento de opiniões como algo positivo.
Então, que pelo menos a medida desperte a nossa classe para o incômodo, o não conformismo. Que uma nova perspectiva de jornalismo comece a ser formulada por aqueles que admiram e respeitam esta profissão, por aqueles que têm paixão, pois o jornalismo que hoje está nas páginas e nas telas não serve. Não serve a mim, não serve à sociedade, não serve nem mesmo aos próprios jornalistas que trabalham mal e são mal remunerados.

Este jornalismo que temos hoje, não nos serve mais.

A pauta rejeitada que virou um Best Seller

A rotina angustiante de um “repórter sem nome e sem futuro” é exposta em “O Beijo da Morte” que tenta desvendar os bastidores da Ditadura Militar na América Latina

Uma verdade duvidosa. Esta pode ser a primeira e mais simples interpretação da obra de Carlos Heitor Cony e Ana Lee, intitulada O Beijo da Morte.
Lançado em 2003, o livro traz ao longo de suas 283 páginas, a trajetória de um jornalista que dedica a sua carreira a uma pauta que nunca foi concretizada: as mortes de Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda fariam parte de um plano da Operação Condor para eliminar estes três líderes políticos brasileiros que faziam oposição ao então regime militar. Ou seja, supõe-se que eles foram assassinados. A Operação Condor é uma aliança político-militar entre os vários regimes militares da América do Sul criada com o objetivo de coordenar a repressão a opositores dessas ditaduras. No caso do Brasil, estes três líderes representavam uma ameaça, pois compunham a “Frente Ampla”, movimento de oposição ao regime vigente.
O enredo do livro é exposto basicamente através do diário de um repórter fictício. Fica mais fácil então entender os porquês desta obra quando observamos que, ambos os autores são jornalistas e também historiadores. Desta forma, o livro é uma excelente reportagem, já que, apesar de seu protagonista nunca ter existido na realidade, todos os fatos citados fazem parte de acervo documental, o que ajuda a crer que tais circunstâncias podem ser dignas de credibilidade. Eis que temos então um romance-reportagem.
A quem lê, o livro é tão inconclusivo quanto os fatos. O repórter sem nome é introduzido sem nenhum aviso prévio. De uma hora para outra o leitor vê-se adentrando na intimidade de um total desconhecido. A forma como as informações são dispostas e a ordem cronológica são nada mais e nada menos que a tentativa do personagem de se convencer sobre suas próprias teorias.
É nesta instabilidade que se encontra a genialidade da obra de Cony e Ana Lee. Apesar de escrita através de um repórter fictício, a sensação final é de que a obra se resume em uma frase, citada mais de uma vez no texto: “no caso das três mortes, os indícios são maiores do que as provas”.
Apesar de um tanto quanto repetitivo na transmissão das informações, talvez até mesmo para ilustrar a idéia de obsessão que o repórter tinha sobre o assunto, “O Beijo da Morte” é uma excelente leitura aos fãs do estilo direto de Cony e também aos que viveram os fatos da época, assim como para aqueles de menos idade, mas que através das páginas do livro terão a chance de vivenciá-los.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

“Para ser apaixonado por arte não preciso ser um artista”



No alto de seus 28 anos, o crítico Fabiano Ormaneze conta qual é a sua
relação com o pensar e o escrever artístico em detrimento do fazê-lo.


Crítico de arte desde os 23, Fabiano Ormaneze, jornalista e professor, vive da arte, mas não é um artista e conta qual é a sua posição entre ser um estudioso e discorrer sobre atividades as quais não pratica.

Porque escrever especialmente sobre arte?
A arte sempre me atraiu, desde as aulas de Educação Artística do colégio. Mas sempre gostei de saber sobre a vida dos pintores, dos movimentos artísticos. O gosto pela arte me é inerente e então escrever sobre a arte é uma forma que tenho de aproximar-me dela.

Qual das vertentes da arte é a que mais lhe atrai?
Na verdade a minha paixão sempre foi a literatura. Então pensar e escrever a arte no jornalismo funcionam para mim como uma extensão a esta minha paixão, inclusive para as outras tantas formas de arte.

Você já tentou ser um artista? Quando?
Não diria que tentei ser artista, mas que já estive mais ligado ao fazer artístico. Durante minha adolescência, fiz teatro por aproximadamente quatro anos. Além disso, já pintei umas telas. Nunca tentei escrever uma ficção, me realizo muito mais pensando a arte...

Escrever sobre arte pode ser um tipo de arte?
Não. Escrever sobre arte é apenas refletir sobre arte, estudá-la, compreendê-la melhor. Sou contra esse desgaste que as pessoas promovem no conceito de arte... Tipo: "crítica é a arte de escrever sobre as manifestações dos artistas"... Isso não é arte. Não considero que escrever sobre arte seja fazê-la, são coisas diferentes.

Em suas aulas sobre crítica de arte, você já disse que a crítica permite ao autor a liberdade de criar "novas metáforas", isso te realiza?
Na verdade, o jornalismo literário utiliza algumas técnicas da literatura na produção do texto. E literatura é arte. Essa preocupação estética do jornalismo literário faz com que ele tenha um pouco de arte. Sou feliz com o que faço.

Estar tão próximo à arte, mas não ser o “artista no palco”, alguma vez lhe frustrou?
Não, de forma alguma.

O que diferencia uma pessoa simplesmente apaixonada pela arte, como você, de um artista?
O artista é um persistente, está em constante busca de um estilo, de uma técnica, de reconhecimento. Eu diria que o jornalista que se especializa nesta área também tem todas essas características, com uma diferença: em vez de levar para a arte sua percepção de mundo, como faz o artista, o crítico leva para os jornais sua percepção de arte.

sábado, 30 de maio de 2009

51 anos de Pai


Tão mais real que seus discos voadores.
Mais interessantes que Pink Floyd,
O Corinthians
E seus outros amores.

Mais acolhedor do que o leite na cama,
Ou imaginar água corrente e florestas para acabar com a insônia.
Tão melhor que fazer carinho no pé
E tão saudoso quanto dormir com seu cafuné.

Tão incondicional quanto os seus atos de amor
Aqueles que de tão inconseqüentes
Causam orgulho, admiração e devoção,
Jamais dor!

Tão complexo quanto a sua teoria sobre Deus
E tão louco quanto todos os sonhos seus.
Tão profundo quanto o mar que você nunca aprendeu a nadar,
Tão maior quanto toda a sabedoria, juntos céu e mar.

Tão simples quanto a vida que devo a você,
Tão gostoso quanto os carinhos que recebo ao te ver
Tão belo quanto o olhar que ganho quando quero ter
Tão real quanto a vida que me deu para viver.

Tantas Copas quanto meio século trás
Tantas vontades que você deixou para trás
Quanta coisa ainda tem para viver
Todo o tempo que passei junto a você.

A completa solidão que a obrigação lhe traz
Junta a toda liberdade que a família lhe desfaz
Quero de você sempre muito e quero mais
Exijo sim toda atenção que é capaz.

Pois você é responsável pela filha que eu sou
Cúmplice e culpado por ter todo o meu amor
Sentimento completo, vivenciado a cada dia
Tão maior é meu amor que essa poesia.




















segunda-feira, 18 de maio de 2009

A arte de não fazer arte


Porque a rotina é assim. Não se é artista, não há tempo para arte. A negligencia do artístico, do encantamento e da criatividade exige grande esforço por parte da maioria da população.
Você que lê estas linhas vai ver que me entende muito bem. Diga-me você se é fácil acordar cedo (mesmo contra a vontade) para cumprir os seus compromissos trabalhistas. Ou precisar acordar ainda mais cedo do que necessitaria devido à precariedade do transporte público ou ainda o volume do trânsito, deixando de lado o descanso que facilitaria aflorar a sua criatividade. Estar submetido a objetivos e metas a serem cumpridos dentro da empresa onde trabalha, não restando tempo para nenhuma outra distração a não ser ver os e-mails com piadas, mandados por colegas que você somente tem a oportunidade de ler por já estarem ali em sua caixa de entrada, impedindo assim qualquer momento de ócio que lhe permitiria, por exemplo, ter vontade de ler um livro que lhe traga algo novo, pensamentos mais complexos ou mesmo ir ao cinema e convencer-se mais uma vez de que Indiana Jones realmente é uma obra de arte.
E o que dizer sobre a obrigatoriedade da aparência, que lhe faz vestir máscaras para que os demais possam o caracterizar. Temos de ser profissionalmente bem-sucedidos, bonitos e ainda felizes (se você for se expressar sobre suas angustias, por favor, guarde-as em um diário, publicamente é melhor que lhe vejam lendo um livro de auto-ajuda).
Reprimir o instinto de artístico natural inerente a cada um de nós a ponto de nada disso nos causar estranhamento, realmente é uma arte.

“A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte...”
(Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto – Comida)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Hoje eu esperei

Hoje eu deito na sua cama sem seu peso ao meu lado, sem os seus braços à minha volta e a sua respiração em meu ouvido. Hoje eu cheguei em minha casa e não pude lhe esperar porque você não vinha hoje.
Mesmo assim eu lhe esperei, angustiada, como quem espera pra sofrer. Como se o sofrimento pudesse lhe trazer.

Hoje eu só pensei em você. Eu só penso em você!

Hoje pela manhã eu esperei a sua ligação. Recebi a sua mensagem.

Hoje eu te espero, assim como esperei a vida toda e ainda vou esperar, porque mesmo quando está presente eu espero por crer que aquele momento não vai acabar.

Até terça-feira, saudades.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eu não dependo mais de lâminas de barbear


Minha moderna vaidade,

Convencida e auto-suficiente.

Minha solidão escolhida,

Meu orgulho inteligente.


Em um momento qualquer,

Aceitei a verdade pungente:

Meu reflexo tão bem convencia

Que enjoei de ser competente.


Pulei pra dentro do espelho,

Ataquei a imagem criada.

Abafei e neguei brilho

A uma existência espelhada.


Escolhi minha vaidade

Sem a obrigação de ser moderna

Procurando ser auto-suficiente

Parei de depilar minha perna.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Encontros - encontrei uma história de amor


F. sempre foi intenso. Na única vez em que o vi ele me disse: "nada na minha vida foi combinado, tudo simplesmente aconteceu". Foi nesta mesma e única ocasião que ele me contou a sua história de amor. Paulistano, 32 anos, tem uma filha de dez. Ela mora com a mãe, no apartamento ao lado do seu. Ele e esta ex-namorada são praticamente melhores amigos. Mas, foi há quatro anos, quando esteve nos Estados Unidos, que conheceu sua grande paixão, B. Com alguns meses de namoro, ela resolveu acompanhar o namorado até o Brasil onde logo se casaram e F. teve a sua segunda filha. Após dois anos de casamento, todos perceberam que o comportamento de B. havia mudado. Ela estava mais triste, calada. Disse que estava com muitas saudades de casa. Foi com a filha aos Estados Unidos para visitar os pais. Nunca mais voltou. F. adoeceu. Não comia mais, não saia da cama. "Quando eu percebi que tudo tinha realmente acabado, então meu mundo terminou", disse-me ele. Já se foram dois anos e ele não viu mais a filha nem a ex-mulher. Mas, eles se falam às vezes. B. diz que não o esqueceu e quer que ele vá morar com ela nos Estados Unidos, pois ela não se adaptou ao nosso país. F. não vai, tem uma filha aqui também. Segundo ele, a filha mais velha não pode sofrer por erros que o pai cometeu. Mas F. diz que também não esqueceu B. Atualmente, F. namora M. que sabe de toda a história.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Encontros - encontrei um Ditador


São Paulo, 28 de março de 2009.
Em um apartamento tradicional, no tradicional Jardins, comemorava-se o aniversário de uma paulistana tradicionalíssima: 72 anos.
Dentre os convidados estavam o vizinho e sua esposa, senhores já de idade. Ele puxou assunto falando de futebol e logo pulou para a política. Não demorei a perceber que era do tipo que gostava de discussões proibidas.
Foi quando se revelou: - Sou um ditador! Eu estava aqui em 64, era soldado do exército e combati o Lula, o Fernando Henrique, O Genuíno, o Zé Dirceu, a Dilma e toda essa corja que você conhece!

Sim, ele gostava de assuntos proibidos.

Dentre suas frases de impacto estavam:
"Sou suíço, vim para cá ainda bebê"
"Queriam tomar as fazendas de meu pai"
"Os lulistas nos perseguem porque temos olhos azuis"
"Os socialistas eram bandidos, queriam roubar a gente"
"O único político bom que conheci, foi o que nasceu morto da barriga da mãe"

Nesse meio tempo, sua esposa, entrou na conversa. Foi quando ele perguntou o que eu temia: - Você é de esquerda ou direita?

Já sua esposa resolveu ser mais específica. Depois de contar sua experiência com o golpe político há mais de quarenta anos ("eles tentaram invadir o comércio do meu pai, queriam nos matar"), ela fechou o foco em Lula.

"Ninguém sabe, mas o Lula tem uma casa aqui perto e em frente à sua residência ele não deixa nenhum pobre passar. Além disso, o casamento dele é apenas fachada, na verdade ele não vive com a mulher, tem uma amante. As pessoas não sabem dessas coisas, uma jovem como você tem que nos ajudar a divulgar".

Quando tentei argumentar que, na verdade, só o que toda uma sociedade busca é seu próprio espaço, ela contra-argumentou: "mas antigamente os pobres nos respeitavam". E ele reclamou: "não podemos sequer sair com nossas jóias na rua".

Já no final da conversa (?) ilustrou: "Nós, fazemos amor, já o povo só faz sexo".

... ele concluiu que eu era socialista.

E mesmo olhando pela janela do alto de um apartamento dos Jardins Paulistas, ainda fico do lado dos pobres e da liberdade sexual.
Mas eram boas pessoas.

terça-feira, 24 de março de 2009

Nanopartículas quânticas não têm religião.


Enquanto esperava o ônibus na manhã de hoje, me protegendo do sol que já ia alto às nove, dois senhores que aguardavam a saída do mesmo veículo, discutiam sobre religião.

Um deles era "católico apostólico romano", como não se cansava de repetir e o outro pertencia à algum segmento da igreja evangélica que não consegui identificar.

Em meio ao choro de uma criança no colo da mãe, ao camelô que vendia água e à reclamação de todos com relação ao sol, os dois discutiam a santidade (ou não) de Maria, mãe de Jesus. Afinal, ela é ou não santa? Foi virgem a vida toda ou teve mais filhos? Deve-se rezar para ela? e etc.

Enquanto isso os que estavam no local consolando o choro do filho, vendendo água ou simplesmente tentando se proteger do sol, riam-se da situação ou protestavam dizendo "religião não se discute!".

O episódio lembrou-me do meu antigo professor de história explicando quem foi Martinho Lutero e como começou a divergência centenária entre católicos e protestantes, todos fundamentados numa mesma escritura.

Hoje de manhã, seria um bom dia para que Jesus voltasse e explicasse a bíblia de uma vez por todas.


Quando o ônibus chegou fiz a viagem lendo uma reportagem sobre nanopartículas quânticas, queria pensar em algo menos complexo que a religião.

domingo, 22 de março de 2009

O amor aos amantes



"Não tenho medo. Não tenho medo de

nada. Quanto mais eu sofro, mais eu

amo. O perigo apenas aumenta meu

amor. Estou preso a ele. Vou apenas

fazê-lo crescer. Serei tudo o que você

precisa. Viverá uma vida ainda mais

linda que a que tinha. Os Céus a

trará de volta e dirá: apenas uma

coisa pode tornar uma alma completa, e

esta coisa é amor."

Trecho não identificado do filme "The Reader", que assim como todo o restante do longa, me fez vivenciar de forma profunda o sentimento de paixão dos amantes. Talvez por um contexto de momento, foi o romance que mais me encantou em todo o filme ambientado no pós Segunda Guerra. O que realmente me emocionou foi pensar em quanto uma mulher influenciou toda a vida de um homem. A delicadeza do que se mostra mais importante. O reconhecimento do amor, real e ficcionalmente.

Eu te amo tanto ...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Teoria do esgotamento do parecer ser

E eis que surge o incomodo.
Foto: Amanda Borsonello

Como? Como lidar e aceitar o comportamento alheio sempre vindo de encontro ao meu tão mais perfeito, justo, correto e bonito mundo particular?
O salgado que comi não tinha sal suficiente no recheio. Deus do céu! Como é que alguém pode gostar de uma coisa tão sem sal?
Eu brigo e contesto a tese religiosa que prega o meu professor da universidade (católica). Mas então, buscando uma posição no mínimo ética, aprendo a respeitar as religiões, já que optei (optei?) a não pertencer a nenhuma delas. Devo ser tolerante com os que crêem em coisas que não creio existir (ou pelo menos não concordo serem corretas).
A empresa à qual presto serviços requer que eu seja uma funcionária satisfatória (que cumpra metas) para que ao final de todo o efeito dominó ao qual pertencem todos que trabalham neste mesmo lugar, a própria empresa cresça. Isso tudo obedecendo à ordem do capitalismo ocidental (smithiano) que diz que o reino dos céus (reino dos céus = pertencer à percentagem daqueles que detêm o maior número de bens) irá ser dos que mais estudarem (intelecto), para conseguirem os melhores empregos (status), que possuem os melhores salários (capital), visando alcançar a plenitude aparentemente funcional da vida moderna (felicidade). O que prova que o desenvolvimento intelectual se resume a testes de QI e conhecimento técnico-científico, além de uma pitada de discurso artístico-subjetivo que sempre passa uma boa impressão, como, por exemplo, mandar uma carta ao namorado com um poema de Augusto dos Anjos e (tentando ser) dizer aos outros que é romântico.
Não se é mais o que lhe preenche, mas sim o que reflete ... você será feliz quando eu olhar para você e souber que você é feliz profissional e sentimentalmente. Além de ser no mínimo “bonitinho”, é claro. Felicidade é então sinonimo de vaidade e ego inflado. Mas e depois? E depois que você conseguir tudo isso? Isso lhe preenche?

tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac
(tempo para reflexão)
...
Independente da resposta que me der eu sei que você dirá que sim. Eu provavelmente diria.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cata-vento, cata o que se foi ...


E como é possível o sentimento de mudança ser tão seduto-amedontrador?
Digito no mesmo teclado as mesmas palavras de sempre em mais uma noite de calor. Mas, esta noite escrevo sabendo que amanhã tudo vai ser diferente: encontro uma nova rotina, com novas paisagens, caminhos, novos horários e outras tantas pessoas. E a mudança me traz de volta ares de vida, movimento, utilidade. O velho discurso da rotina será mudado, agora a fase é de adaptação para intencionadas melhorias.
Entretanto, nenhuma motivação corriqueira supera o desespero de não estar mais com quem já se aprendeu, habituou e escolheu a amar. Tudo se move adiante e todo o sentimento por todos aqueles fica estático, como se tivesse sido deixado para trás.
Mas eu não os deixei para trás, eu jamais os deixaria. Vocês serão a ausência mais presente nas minhas horas, futura rotina. Vocês são a rotina que não quero esquecer.
Amores, e meu amor. AMOR. Amo vocês!

domingo, 8 de março de 2009

Palavra Muda


Muda. É a minha palavra, o meu pensamento, minha oração. Eu digo: "muda", mas nada muda, minha palavra continua muda.E tanta mudez levou-me a escrever o que não se escreve por não existir, num texto sem estória, pretensão ou significado, mas, principalmente, mudo.Por hoje, não leia-me em voz alta.
Não leia.
O ruído me desnorteia.
Sua voz não me aconselha.
E meu texto não lhe incendeia.
E quando tudo silencia na palavra muda e fria, finalizo beirando a beira.