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28 anos, jornalista.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Encontros - encontrei um Ditador


São Paulo, 28 de março de 2009.
Em um apartamento tradicional, no tradicional Jardins, comemorava-se o aniversário de uma paulistana tradicionalíssima: 72 anos.
Dentre os convidados estavam o vizinho e sua esposa, senhores já de idade. Ele puxou assunto falando de futebol e logo pulou para a política. Não demorei a perceber que era do tipo que gostava de discussões proibidas.
Foi quando se revelou: - Sou um ditador! Eu estava aqui em 64, era soldado do exército e combati o Lula, o Fernando Henrique, O Genuíno, o Zé Dirceu, a Dilma e toda essa corja que você conhece!

Sim, ele gostava de assuntos proibidos.

Dentre suas frases de impacto estavam:
"Sou suíço, vim para cá ainda bebê"
"Queriam tomar as fazendas de meu pai"
"Os lulistas nos perseguem porque temos olhos azuis"
"Os socialistas eram bandidos, queriam roubar a gente"
"O único político bom que conheci, foi o que nasceu morto da barriga da mãe"

Nesse meio tempo, sua esposa, entrou na conversa. Foi quando ele perguntou o que eu temia: - Você é de esquerda ou direita?

Já sua esposa resolveu ser mais específica. Depois de contar sua experiência com o golpe político há mais de quarenta anos ("eles tentaram invadir o comércio do meu pai, queriam nos matar"), ela fechou o foco em Lula.

"Ninguém sabe, mas o Lula tem uma casa aqui perto e em frente à sua residência ele não deixa nenhum pobre passar. Além disso, o casamento dele é apenas fachada, na verdade ele não vive com a mulher, tem uma amante. As pessoas não sabem dessas coisas, uma jovem como você tem que nos ajudar a divulgar".

Quando tentei argumentar que, na verdade, só o que toda uma sociedade busca é seu próprio espaço, ela contra-argumentou: "mas antigamente os pobres nos respeitavam". E ele reclamou: "não podemos sequer sair com nossas jóias na rua".

Já no final da conversa (?) ilustrou: "Nós, fazemos amor, já o povo só faz sexo".

... ele concluiu que eu era socialista.

E mesmo olhando pela janela do alto de um apartamento dos Jardins Paulistas, ainda fico do lado dos pobres e da liberdade sexual.
Mas eram boas pessoas.

terça-feira, 24 de março de 2009

Nanopartículas quânticas não têm religião.


Enquanto esperava o ônibus na manhã de hoje, me protegendo do sol que já ia alto às nove, dois senhores que aguardavam a saída do mesmo veículo, discutiam sobre religião.

Um deles era "católico apostólico romano", como não se cansava de repetir e o outro pertencia à algum segmento da igreja evangélica que não consegui identificar.

Em meio ao choro de uma criança no colo da mãe, ao camelô que vendia água e à reclamação de todos com relação ao sol, os dois discutiam a santidade (ou não) de Maria, mãe de Jesus. Afinal, ela é ou não santa? Foi virgem a vida toda ou teve mais filhos? Deve-se rezar para ela? e etc.

Enquanto isso os que estavam no local consolando o choro do filho, vendendo água ou simplesmente tentando se proteger do sol, riam-se da situação ou protestavam dizendo "religião não se discute!".

O episódio lembrou-me do meu antigo professor de história explicando quem foi Martinho Lutero e como começou a divergência centenária entre católicos e protestantes, todos fundamentados numa mesma escritura.

Hoje de manhã, seria um bom dia para que Jesus voltasse e explicasse a bíblia de uma vez por todas.


Quando o ônibus chegou fiz a viagem lendo uma reportagem sobre nanopartículas quânticas, queria pensar em algo menos complexo que a religião.

domingo, 22 de março de 2009

O amor aos amantes



"Não tenho medo. Não tenho medo de

nada. Quanto mais eu sofro, mais eu

amo. O perigo apenas aumenta meu

amor. Estou preso a ele. Vou apenas

fazê-lo crescer. Serei tudo o que você

precisa. Viverá uma vida ainda mais

linda que a que tinha. Os Céus a

trará de volta e dirá: apenas uma

coisa pode tornar uma alma completa, e

esta coisa é amor."

Trecho não identificado do filme "The Reader", que assim como todo o restante do longa, me fez vivenciar de forma profunda o sentimento de paixão dos amantes. Talvez por um contexto de momento, foi o romance que mais me encantou em todo o filme ambientado no pós Segunda Guerra. O que realmente me emocionou foi pensar em quanto uma mulher influenciou toda a vida de um homem. A delicadeza do que se mostra mais importante. O reconhecimento do amor, real e ficcionalmente.

Eu te amo tanto ...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Teoria do esgotamento do parecer ser

E eis que surge o incomodo.
Foto: Amanda Borsonello

Como? Como lidar e aceitar o comportamento alheio sempre vindo de encontro ao meu tão mais perfeito, justo, correto e bonito mundo particular?
O salgado que comi não tinha sal suficiente no recheio. Deus do céu! Como é que alguém pode gostar de uma coisa tão sem sal?
Eu brigo e contesto a tese religiosa que prega o meu professor da universidade (católica). Mas então, buscando uma posição no mínimo ética, aprendo a respeitar as religiões, já que optei (optei?) a não pertencer a nenhuma delas. Devo ser tolerante com os que crêem em coisas que não creio existir (ou pelo menos não concordo serem corretas).
A empresa à qual presto serviços requer que eu seja uma funcionária satisfatória (que cumpra metas) para que ao final de todo o efeito dominó ao qual pertencem todos que trabalham neste mesmo lugar, a própria empresa cresça. Isso tudo obedecendo à ordem do capitalismo ocidental (smithiano) que diz que o reino dos céus (reino dos céus = pertencer à percentagem daqueles que detêm o maior número de bens) irá ser dos que mais estudarem (intelecto), para conseguirem os melhores empregos (status), que possuem os melhores salários (capital), visando alcançar a plenitude aparentemente funcional da vida moderna (felicidade). O que prova que o desenvolvimento intelectual se resume a testes de QI e conhecimento técnico-científico, além de uma pitada de discurso artístico-subjetivo que sempre passa uma boa impressão, como, por exemplo, mandar uma carta ao namorado com um poema de Augusto dos Anjos e (tentando ser) dizer aos outros que é romântico.
Não se é mais o que lhe preenche, mas sim o que reflete ... você será feliz quando eu olhar para você e souber que você é feliz profissional e sentimentalmente. Além de ser no mínimo “bonitinho”, é claro. Felicidade é então sinonimo de vaidade e ego inflado. Mas e depois? E depois que você conseguir tudo isso? Isso lhe preenche?

tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac
(tempo para reflexão)
...
Independente da resposta que me der eu sei que você dirá que sim. Eu provavelmente diria.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cata-vento, cata o que se foi ...


E como é possível o sentimento de mudança ser tão seduto-amedontrador?
Digito no mesmo teclado as mesmas palavras de sempre em mais uma noite de calor. Mas, esta noite escrevo sabendo que amanhã tudo vai ser diferente: encontro uma nova rotina, com novas paisagens, caminhos, novos horários e outras tantas pessoas. E a mudança me traz de volta ares de vida, movimento, utilidade. O velho discurso da rotina será mudado, agora a fase é de adaptação para intencionadas melhorias.
Entretanto, nenhuma motivação corriqueira supera o desespero de não estar mais com quem já se aprendeu, habituou e escolheu a amar. Tudo se move adiante e todo o sentimento por todos aqueles fica estático, como se tivesse sido deixado para trás.
Mas eu não os deixei para trás, eu jamais os deixaria. Vocês serão a ausência mais presente nas minhas horas, futura rotina. Vocês são a rotina que não quero esquecer.
Amores, e meu amor. AMOR. Amo vocês!

domingo, 8 de março de 2009

Palavra Muda


Muda. É a minha palavra, o meu pensamento, minha oração. Eu digo: "muda", mas nada muda, minha palavra continua muda.E tanta mudez levou-me a escrever o que não se escreve por não existir, num texto sem estória, pretensão ou significado, mas, principalmente, mudo.Por hoje, não leia-me em voz alta.
Não leia.
O ruído me desnorteia.
Sua voz não me aconselha.
E meu texto não lhe incendeia.
E quando tudo silencia na palavra muda e fria, finalizo beirando a beira.