Quem sou eu

Minha foto
São Paulo, São Paulo, Brazil
28 anos, jornalista.

sábado, 3 de abril de 2010

Momento Nostalgia - em busca da bola dourada!

Os últimos dias têm sido muito intensos. E hoje, particularmente e apesar de pedir por isso, mergulhei em mim um palmo a mais do que eu pretendia (ou esperava).

Mais tarde, fui ali, até aquela "última gaveta". Peguei o caderno encapado com o celofâne cor-de-rosa claro e com recortes da "Todateen" colados por toda a capa. Comecei a folhear o caderno onde eu costumava registrar todos os meus poemas.

Me lembrei de versos interessantíssimos, geniais, que me fizeram viajar no tempo. Quero transcrevê-los aqui. Quero sentir o prazer de ter essas palavras sugindo de minhas mãos mais uma vez:

A fase das "paixonites"
 acredito que sempre gostei de brincar com elas.

"Te procurei,
Te encontrei,
Te amei,
Você não veio.

Te odiei,
Te perdi,
Desisti,
Não mais te vi.

Até aqui."
"Esperança" (1999)

"Pena que você atravessou a rua e foi-se embora,
para nunca mais voltar."
"E atravessou a rua" (1999)

"Você roubou meu coração,
Foi tão rápido que nem vi!
Mas se tivesse pedido permissão,
Eu não o deixaria ir.
Agora fico desse jeito,
Sem coragem de admitir
Que o meu coração é seu
E que te quero só pra mim."
"Coração roubado" (2002)

"Gosto tanto de você,
Mas não posso explicar,
Eu te amo sem querer,
Sem saber o que é amar."
"Não tem explicação" (2003)

"Hoje eu estava pensando
Como eu queria escrever,
Como eu queria escrever
Uma poesia para você.

Mas eu também estava pensando
Em escrever mais coisas assim,
Foi quando decidi então
Escrever algo sobre mim.

E só você e eu
Ainda achei pouco.
Pensando em algo mais profundo,
Escrevi algo sobre o mundo."
(...)
"O meu mundo universal" (2004)

A fase dos sentimentos reprimidos
e tudo que uma adolescente com síndromede "patinho feio" pode ter

"Já tô cheia de explicar que eu não tô nem aí pra você.
Não sei o que faz todo mundo pensar
Que eu não vivo sem te ter!"
"Tô numa boa" (2003)

"Nessa madrugada escura
De uma lua crescente
Eu me sinto tão sozinha,
Eu me sinto tão doente.
(...)
Há tanta gente ao meu lado,
Pessoas que muito me amam,
Mas as feridas deixadas
Na madrugada se inflamam.

Então eu fico acordada,
Com mil feridas no pensamento,
Esperando que a dor se acabe,
Esperando passar o tempo."
"Insônia" (2003)


Fase real/existêncialista
pura pele

"You're irritating me
Making myself retrograde.
You don't have me,
But you leave my quietness away.
(...)
Maybe I'll never out
Of my world of you.
Maybe I'll only out
Of this air, this school.
(...)
I'm feeling an empty
And overflowing at the same time.
I could laught for you,
Wishing to cry.

But you are irritating me
Like an insect on my mind.
You don't have me,
But you hurted my pride.

What I'm writting
Is a shit, but I can't stop.
Now I'm thinking that my chip
Was programed to lost.

Lost in words
All the decency, all the shame
And leave the others see
What a shit is this poem."
"What a shit" (2004)

"Na raiz do meu medo
Se mostra desde cedo,
Plantado em segredo
Na minha solidão.

O destino me espreita,
Me prende e me sufoca.
Em dança mais perfeita
Me agarra e não me solta.

Me leva a seu altar
Com sonhos que eu sei,
Me fazem delirar,
Jamais esquecerei ...

E faz eu me lembrar
Que posso ter luar
No dia em que alcançar
A imensidão do mar."
(...)
"Em busca" (2005)

"Que abro caminho,
Me embranho na mata,
Me arranho no espinho
E fujo da faca,
Da lâmina quente,
Brilhante, faminta,
Que pôe-se em meu caminho,
Amedronta e excita."
"Trilhando o destino" (2005)

"(...)
Minhas noites tão vazias
Como triste melodia,
As estrelas, que ironia,
Já não fazem companhia.
(...)
Nesta brega poesia
Que escrevo com azia
Só registro a ladainha
Que já escrevi um dia."
"Ladainha" 2005

"(...)
Foi numa tarde qualquer
A solidão veio me atormentar.
Chamei por você em pensamento,
Pensei que não fosse aguentar.

Foi quando o vento se fez
E veio pra me avisar
Que o mundo estava me ouvindo
E pedia pora eu esperar."
"E de repente" (2005)

"(...)
Não direi que minha poesia é o espelho da alma,
Direi que é o vômito dela.
(...)
Mas minha alma, coitada,
De repente se calou,
Minhas idéias murcharam,
A poesia secou."
"Alimento da alma" (2005)

"(...) logo eu, que sempre gostei tanto de escrever sobre sentimentos, agora, nesse exato momento, duvido de todos eles. (...) duvido de tudo que escrevo e você deveria duvidar também! Mas essas são as minhas palavras, portanto, não me culpe se coloquei-as assim, ou então, faça as suas próprias palavras, dê vida a elas. No momento, só posso matar as minhas."
"Palavras mortas" (2005)

Especiais
da safra que guardo com carinho

"A grama se estende muito além dos meu olhos.
O vento faz carinho e provoca arrepio.
As flores são o espelho da minha alma em sonho
E eu me perco nesse delírio infantil.

Quando abro os olhos, provoco um suspiro e acordo,
Ainda sinto o vento e perfume de flores em mim.
Dou um sorriso bobo e sem perceber choro,
Me entrego sem pressa a essa emoção sem fim.

Lá fora o mundo, daqui do meu quarto escuto,
Faz muito barulho e não pára de rodar.
Daqui do meu quarto sozinha eu me culpo,
Porque nesse mundo tudo que faço é sonhar.

O tempo me traz a certeza que o tempo
Não pára nunca e por isso tratá
Trará meu amor junto com o vento
De uma primavera que um dia eu sei que virá."
(...)
"Sonhos Primaveris" (2004)

 
"Pode passar chuva, vento, tempestade.
Alegrias, tristezas,
Tempo, saudade.
Amores. Paixões,

Dias, meses, estações,
Eu continuo só.
Só.

Posso ir, voltar, ficar.
Ser, estar,
Viver e continuar.
Dor. Prazer.

Nascer, reproduzir, morrer.
Eu continuo só.
Só.

Passam pai, mãe, irmã,.
Vó e vô,
Doente e sã.
Amigas. Amigos.

Parentes, conhecidos, inimigos.
Eu continuo só.
Só.

Pode dar receio, desejo, curiosidade.
Idade, bobagem,
Ilusão e vontade.
Brincadeira. Paixão.
Inocência, fevor, decepção.
Eu continuo só.
Só.

Pode haver papel, caneta, idéia.
Forma, verso,
Rima e platéia.
Sinceridade. Hipocresia.

Feio, lindo, poesia.
Eu continuo só.
Só.
"Eu continuo" (2004)
Vencedora do III Concurso de Poesias Sebo Dr. Anselmo em 2006

"Transformar vida em poesia,
Palavras em oração.
Beleza e harmonia
Que escrevo com a mão.

Ando na contramão.
Não trago alegria.
Não tenho coração.
Sou toda hipocrisia.

Vivo de fantasia.
Adoro Ilusão.
Sou como água fria
No calor do verão.

Gosto de dizer não.
De ser toda vazia.
O podre do coração.
Sangue com anemia.

Amor que contagia,
Da fome eu sou o pão.
Sou anjo, sou magia.
Sou sempre o sim do não.

Grande desilusão,
Eu sou o fim do dia.
Sou sua solidão,
A sua sombra esguia.

Sou a contradição
Que de mim irradia.
Um ponto de interrogação,
Uma dúvida que se cria."
"Contradição" (2005)

"Onde, onde; Onde está?
Se esconde; Não se mostra.
É de sangue, tão exposta.

Mas perece ser tão longe,
Onde, onde se esconde?
Sobre  fio, sob o véu,
Doce inferno do meu céu,

Que me arranha e reclama
Quer sair, quer se mostrar.
Onde, onde, então onde?
Será onde que está?

Ventre puro e maduro
Já apodrece no escuro,
Falta espaço, falta ar
Pra sair, se libertar.

Onde, onde,
Onde está?"
"Pureza passada" (2005)




2 comentários: