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domingo, 26 de fevereiro de 2012
A experiência de "Guerra e Paz"
Palavras sempre me emocionaram mais que imagens, fato. Mas, esta preferência não anulou minha vontade de visitar os painéis "Guerra e Paz", de Cândido Portinari, em exposição no Memorial da América Latina, ali na Barra Funda, em São Paulo.
Confesso que o que mais me motivou a procurar a exposição, foi a vaidade de dizer "eu vi", para os famosos quadros do pintor brasileiro que estavam há mais de 50 anos em um hall de acesso restrito da sede da Onu, nos Eua, e que só voltaram ao Brasil porque o prédio das Nações Unidas em questão está passando por uma reforma que vai até 2013.
Sendo assim, na manhã de hoje enfrentei o sol ardido que antecipa as chuvas de verão, para suprir minha curiosidade. Percebi que o meu "programinha" viraria um espetáculo completo, assim que entrei na sala escura e gelada onde os painéis estão expostos. Os poucos metros que separam a "Guerra" da "Paz" e onde ficam todos os espectadores deslumbrados pelo que vêem, logo ficou suspenso em surpresa e emoção: são 14 metros de altura e dez de largura, de cada lado, com figuras expressivas e coloridas que oprimem quem as olha e agiganta todas as emoções que cada traço pode provocar.
Um pouco assustada, cheguei timidamente perto do quadro do fundo. De acordo com a minha filosofia ordinária particular, primeiro eu precisaria entender a guerra, pra depois contemplar a paz.
O painel "Guerra" tem mãos. Mãos e cabelos, cabelos e mães, mães e desespero, desespero e morte. São seres humanos viscerais, com olhos de dor e dedos em súplica. Ele tem cores fortes, que comovem e entram em algum lugar das nossas entranhas, que nos deixa perplexos por existir tanto encantamento na dor.
Do outro lado, o "Paz" tem cores suaves, mulheres com os cabelos para trás, sem cobrir seus rostos, sertanejos e crianças que cantam em coro e brincam em balanços. As mãos também estão lá, mas, nesse caso, dadas umas às outras, em comunhão.
Fechando com chave de ouro, a organização exibe um vídeo com poemas (entre eles um de Drummond), inspirados no pintor e em sua obra, misturando palavras e imagens e desencadeando finalmente a vontade que senti desde o início de chorar...
Sem pretensão de escrever nada parecido com uma crítica de arte, só preciso dizer que o programa é recomendadíssimo.
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Parabéns Amanda!
ResponderExcluirMuito singelo seu comentário. Fiquei comovida!
Muito obrigada, Maria! Aproveite para conhecer a exposição.
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