Toda obra tem seu público alvo ...
Quem sou eu
sábado, 20 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Encontros - encontrei um abraço que mudou duas vidas
A Cá e o Alê se conheciam há dez anos. Eram daquele tipo de amigos de infância por osmose, na verdade amigos mesmo eram os seus pais. Durante a adolescência a Cá gostava de sair e beber. O Alê acompanhava a vida da "amiga" e a achava fútil e folgada. Com 19, Cá conheceu o Otávio, com quem começou a namorar e noivou.
Em seu 3° ano de noivado, mais especificamente durante a festa de ano novo, os pais, a família e os amigos de seus pais estavam em sua casa durante a ceia. Consequentemente, Alê também.
Meia-noite. Todos se cumprimentam, todos se abraçam, inclusive Cá e Alê. Nesse momento, nos primeiros minutos do ano de 2005, Alexandre e Carina se abraçaram. Foi o abraço de suas vidas. Ele sentiu que ela era incrivelmente querida e não folgada. Ela sentiu como se sempre devesse ter estado envolvida exatamente por aqueles braços. Eles se apaixonaram.
No dia 2 de janeiro de 2005, Carina rompeu o noivado com Otávio, que reagiu mal. Num clamor melodramático ele chegou a cortar os pulsos, sem pensar que seu sangue dava um tempero especial e fortaleciam ainda mais o romance de Carina e Alexandre.
Cá e Alê se casaram no dia 20 de dezembro de 2009. Ainda ontem ela estava super preocupada com a pintura do novo apartamento...
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Sobre "Os Maias", de Eça de Queiroz
A última conversa entre Carlos da Maia e João da Ega, dez anos após uma intensa convivência e importantes acontecimentos:
"- Falhamos a vida, menino!
- Creio que sim ... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: "vou ser assim, porque a beleza está em ser assim". E nunca se é assim; é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Às vezes melhor, mas sempre diferente."
"Uma comoção passou-lhe na alma; murmurou, travando o braço do Ega:
-É curioso! Só vivi dous anos nessa casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira!
Ega não se admirava. Só ali, no Ramalhete, ele vivera realmente daquilo que dá sabor e rêlevo à vida - a paixão.
- Muitas outras coisas dão valor à vida ... Isso é uma velha idéia de romântico, meu Ega!
- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento e não pela razão ...
Mas Carlos queria realmente saber se, no fundo, eram mais felizes esses que se dirigiam só pela razão, não se desviando nunca dela, torturando-se para se manter na sua linha inflexível, secos, hirtos, lógicos, sem emoção até o fim ...
- Creio que não - disse o Ega. - Por fora, à vista, são desconsoladores. E por dento, para eles mesmos, são talvez desconsolados. O que prova que neste lindo mundo ou tem de ser insensato, ou sensabor...
- Resumo: não vale a pena viver ...
- Depende inteiramente do estômago! - atalhou Ega."
"Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que, agora, o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear ... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tanquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada, que se chama o Eu, ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo ... Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades. (...) com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para cousa alguma ...
Ega, ao lado, ofegante, atirando as pernas magras:
- Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder ..."
E genialmente, após este discursso consolado e acomodado, Eça de Queiroz põe Carlos e Ega a correr pelas ruas, pois estão atrasados para um jantar que assumiram como compromisso, "sob a primeira claridade do luar que subia."
(... ah, românticos ...).
"- Falhamos a vida, menino!
- Creio que sim ... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: "vou ser assim, porque a beleza está em ser assim". E nunca se é assim; é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Às vezes melhor, mas sempre diferente."
"Uma comoção passou-lhe na alma; murmurou, travando o braço do Ega:
-É curioso! Só vivi dous anos nessa casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira!
Ega não se admirava. Só ali, no Ramalhete, ele vivera realmente daquilo que dá sabor e rêlevo à vida - a paixão.
- Muitas outras coisas dão valor à vida ... Isso é uma velha idéia de romântico, meu Ega!
- E que somos nós? - exclamou Ega. - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento e não pela razão ...
Mas Carlos queria realmente saber se, no fundo, eram mais felizes esses que se dirigiam só pela razão, não se desviando nunca dela, torturando-se para se manter na sua linha inflexível, secos, hirtos, lógicos, sem emoção até o fim ...
- Creio que não - disse o Ega. - Por fora, à vista, são desconsoladores. E por dento, para eles mesmos, são talvez desconsolados. O que prova que neste lindo mundo ou tem de ser insensato, ou sensabor...
- Resumo: não vale a pena viver ...
- Depende inteiramente do estômago! - atalhou Ega."
"Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que, agora, o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear ... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tanquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada, que se chama o Eu, ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo ... Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades. (...) com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para cousa alguma ...
Ega, ao lado, ofegante, atirando as pernas magras:
- Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder ..."
E genialmente, após este discursso consolado e acomodado, Eça de Queiroz põe Carlos e Ega a correr pelas ruas, pois estão atrasados para um jantar que assumiram como compromisso, "sob a primeira claridade do luar que subia."
Ter lido os Maias, durante o primeiro e grande parte do segundo tomo, foi, para mim, uma interessante viagem sobre a exposição dos costumes e idéias lisboetas do século XIX. Foi ainda uma deliciosa distração sobre as discussões políticas e literárias destes personagens que viviam a uma época em que eram-se os dias, um após o outro, sem atropelamento. Uma época em que o tempo ainda não tinha tanta pressa. O livro foi também um espelho de identificação em seus momentos de paixão, especialmente entre Carlos e Maria Eduarda.
Mas foi sobretudo ao findar do segundo tomo, nos trechos das últimas páginas aqui transcritas, que a obra arrasou-me completamente. As imagens de Carlos da Maia voltando a um passado que em dois anos resumiu toda a sua existência é de uma beleza e uma tristeza tão emocionantes que apenas quem nunca foi feliz em algum momento da vida, ou é feliz e não tem medo de perder essa felicidade seria incapaz de compreender, de viver, de sentir. Enfim, estou aos prantos!
(... ah, românticos ...).
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Diário de Férias - a mídia e blá, blá, blá
O dueto entre Celso Zucatelli e o Espremedor de Laranjas!
Pela manhã, a voz de Cris Flores, apresentadora do Hoje em Dia, vem da TV já ligada na cozinha e me anuncia que Sheila Mello é a nova eliminada de A Fazenda 2. Entre espremer laranjas e me perguntar por que o insuportável do outro apresentador, Celso Zucatelli, não cala a boca, eu me lembro da coletânea do Dominguinhos que baixei da internet e prometo para mim mesma que assim que não tiver mais que estar na cozinha sufocada pelas frases de Zucatelli e pelo barulho do espremedor, serão as melodias de Dominguinhos que vão ressoar pela casa.
Assaltos à bancos em cidades no interior estão para Lampião assim como Hannibal Lecter
Depois do almoço, ainda ouvindo Elba Ramalho cantar De Volta pro Meu Aconchego, pego no sono. Acabo sonhando com um repórter da Globo cobrindo o caso Hannibal Lecter e comparando-o com Lampião. É isso que dá, eu ter assistido a primeira matéria do Fantástico de ontem, em que assaltos a bancos de pequenas cidades estavam sendo comparados com os movimentos do Cangaço. Quando ouço tamanhas bobagens costumo mesmo ter pesadelo com elas. Pesou no sonho também o fato de eu ter ficado assistindo Silêncio dos Inocentes até as 3 da manhã.
"A Vida de David Gale" e a Filosofia de Lacan (agora é sério)
Melhor seria ter sonhado com Kevin Sapacey em A Vida de David Gale, que assisti na tarde de ontem. Especialmente em uma das cenas iniciais do filme quando ele está lecionando sobre Lacan e diz que:
“As fantasias tem de ser irreais, porque no momento, segundo em que consegue o que se quer já não o pode querer mais. Para poder continuar a existir o desejo tem de ter os objetos eternamente ausentes. Vocês não querem algo, querem a fantasia desse algo. Então, o desejo apóia fantasias desvairadas. Foi essa a idéia de Pascal ao dizer que somos realmente felizes quando sonhamos acordados com a felicidade futura. Daí dizer: o melhor da festa é esperar por ela, ou, cuidado com seus desejos. Não pelo fato de conseguir o que quer, mas pelo fato de não querer mais depois de conseguir. Então, a lição de Lacan é: viver de desejos nunca o fará feliz. O verdadeiro significado de ser humano é a luta por viver por idéias e ideais. E não medir a vida pelo que obtiveram em termos de desejos, mas pelos momentos de integridade, compaixão, racionalidade e até auto-sacrifício. Porque no final, a única forma de medir o significado de nossas vidas é valorizando a vida dos outros”.
E assim seguimos com as férias ...
domingo, 6 de dezembro de 2009
Encontros - Encontrei um taxista bem humorado
- Entre cinco e oito minutos
- Ok.
E desci pelo elevador, dei tchau pro porteiro e fiquei esperando o taxi em frente ao prédio. Onze minutos e nada. Liguei na central:
- Central? Meu taxi ainda não ...
Avistei o Taxi.
- Nada não, obrigada.
- Bom diaaa!
- Bom dia!
- Esperou muito tempo?
- Uns doze minutos
- Nossa, mas essas meninas da central são ruins de serviço mesmo hein! Desculpe, hoje tem Enem e a cidade tá um caos, um monte de estudante e tá faltando carro por aí.
- Ahh, não tem problema não.
- Olha, eu sou taxista há 35 anos, 35 anos! Não gosto de fazer ninguém esperar ...
E assim começou a corrida com o taxista mais bem humorado que já encontrei!
O seu Fulano, como ele mesmo disse, é taxista há 35 anos. Me contou que trabalha de domingo a domingo, adora a profissão. Eu perguntei por que ele achava tão bom ser taxista e ele me respondeu que é porque é muito divertido. Ele sempre está conhecendo alguém novo, conversando e dando risada. Me afirmou que este bom humor foi o que fez com que ele conquistasse a vasta clientela que tem hoje: "meus clientes queridos são tão antigos que faço até corrida com hora marcada".
Tanto animo e paixão pela profissão custou a ele certa solidão. Seu fulano taxista me contou que passou por 6, sim 6 casamentos. "Nenhum deles durou porque, eu nunca tenho horário, posso sair pra uma corrida a qualquer hora, o taxi é a minha prioridade".
57 anos, natural de Uberlândia, há 37 anos morando em Campinas, ainda mantendo o sotaque mineiro e um tanto quanto galanteador, o nosso personagem aqui me disse que 90% dos seus, digo, das suas clientes são mulheres, porque segundo ele, ele entende muito do jeito feminino.
"Além disso, sempre tento deixar o meu carro bonitinho. Troco muito de roupa e de mulher, mas não tanto quanto eu troco de carro, hahahahahahaha".
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Crepúsculo? Vampiro para mim, só Conde Drácula
Eu não sei bem ao certo quando foi que começou, mas fato é que a "saga" Crepúsculo muito me desagrada. O livro de capas encrementadas, o filme com rostos (e músculos) bonitos, a histeria de fãs, e este marketing exagerado que deixa em mim a nítida sensação de que Stephenie Meyer, autora dos livros, os produz com uma finalidade única: ganhar dinheiro.
Talvez o meu desagrado venha do fato de que a "crepúsculomania" atinja duas paixões nas quais sempre me deliciei: literatura e vampirismo.
Como dedicada fã da série Harry Potter, já me livro da acusação de esnobice pelo pop. A diferença é que Rowlling, ao contrário de Stephenie Meyer começou a escrever sobre o menino bruxo sem grandes pretenções de o tornar uma celebridade. Admito que a qualidade dos três últimos livros da série piorou se comparados aos anteriores. Inegável que a certeza de que suas obras estariam em breve nas telonas influênciou sua produção e sua escrita. Acredito que neste sentido o cinema só atrapalha a literatura. Um escritor não pode dividir-se em dois. Quando escreve, tem de estar totalmente dedicado à visão de seu personagem nas páginas e não na tela. Mesmo assim, Rowlling conseguiu se manter. Já Crdepúsculo ... bem, para começar, não há criatividade nem mesmo na história central: o amor impossível de uma humana por um imortal - princípio básico de qualquer história barata e clichê (tipo todas as novelas da Globo). O sucesso barato continua quando pensamos na autora: é nítido que ela escreve no papel pensanso na tela. E pra piorar, ela é bem menos inteligênte e sofisticada que J. K. Rowling.
Talvez o meu desagrado venha do fato de que a "crepúsculomania" atinja duas paixões nas quais sempre me deliciei: literatura e vampirismo.
Como dedicada fã da série Harry Potter, já me livro da acusação de esnobice pelo pop. A diferença é que Rowlling, ao contrário de Stephenie Meyer começou a escrever sobre o menino bruxo sem grandes pretenções de o tornar uma celebridade. Admito que a qualidade dos três últimos livros da série piorou se comparados aos anteriores. Inegável que a certeza de que suas obras estariam em breve nas telonas influênciou sua produção e sua escrita. Acredito que neste sentido o cinema só atrapalha a literatura. Um escritor não pode dividir-se em dois. Quando escreve, tem de estar totalmente dedicado à visão de seu personagem nas páginas e não na tela. Mesmo assim, Rowlling conseguiu se manter. Já Crdepúsculo ... bem, para começar, não há criatividade nem mesmo na história central: o amor impossível de uma humana por um imortal - princípio básico de qualquer história barata e clichê (tipo todas as novelas da Globo). O sucesso barato continua quando pensamos na autora: é nítido que ela escreve no papel pensanso na tela. E pra piorar, ela é bem menos inteligênte e sofisticada que J. K. Rowling.
Neste final de semana, o Caderno 2 do Estadão dedicou uma página a Crepúsculo, cujo segundo filme, Lua Nova, estréia depois de amanhã (20) nos cinemas. Com o título "Sexo e sangue? Não, é apenas amor", a matéria compara a "saga" de Crepúsculo a mais um desdobramento de amor impossível no estilo Romeu e Julieta. O que vale mesmo a pena é ler, ao fim da página, o artigo de Antônio Gonçalves Filho, que faz uma análise sociológica e inusitada da "obra". De acordo com as teorias do jornalista, o vampiro Edward, protagonista da série, é um vampiro na coleira domesticado pela classe média. Segundo ele, não admira que a atividade sexual do vampiro teen se resuma "às preliminares mais longas de todos os tempos", o que justifica que ele e sua namoradinha Bella, a frágil, sejam ídolos da geração muito mais habituada ao "ficar" do que a construir vínculos afetivos duradouros. Afinal, se ela ceDER para ele, acaba-se a idealização romântica de um vampiro apaixonado por toda a eternidade ... . Antonio Gonçalves Filho reforça os ideais de classe média estampados em Edward quando cita o conforto do jovem vampiro que não dorme em caixão, não tem problemas com alho e não odeia água benta.
Ahhhh, bons tempos aqueles em que sinônimo de vampiro era o malvado, sedutor e inesquecível Conde Drácula, que escravizava a todos os homens e seduzia todas as mulheres ... afinal, o que mais pode querer um cara que sabe que não vai morrer nunca além de ser divertir com sangue e sexo?
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Encontros - Encontrei um bêbado duro
Estava chegando ao ponto de ônibus, obviamente preocupada se a minha linha já tinha passado, se ia passar, se eu me atrasaria ...
Logo que sentei no banco, ouvi alguém chamar à minha direita:
- Moça?
Era um senhor, um tanto quanto maltrapilho, aparentando mais de cinquenta. Olhei para ele, ele pensou por um segundo e perguntou:
- Que horas são?
- Dez para as quatro
E voltei a virar o rosto para o lado contrário procurando pelo meu ônibus, quando:
- Moça?
Virei -me novamente,
- Você é feliz?
Olhei à minha volta e pensei, de novo essas coisas só acontecem comigo! Fiquei meio atordoada com a pergunta e com a forma intensa com a qual ele me olhava esperando a resposta. Espiei em volta novamente e procurei por alguém, desta vez para saber se teriam curiosos observando uma "moça" dando satisfação pra um bêbado.
- Sim.
Ele parou por um segundo e insistiu:
- Você é feliz ou é infeliz?
- Sou feliz, respondi
Ele baixou os olhos, pensando na minha resposta e revelou a profunda tristeza que parecia sentir.
Mais alguns segundos e:
- Moça?
Neste momento outras pessoas chegaram ao ponto de ônibus, resolvi ignorá-lo
- Moça?
E o senti vindo para mais perto de mim e cutucando o meu braço. Olhei para ele
- Você é médica?
- Não
Percebi que os outros já começavam a olhar para aquela conversa bizarra.
A cada pergunta, uma resposta breve e a cabeça virada para o outro lado para ver se ele desistia.
- Moça? O que você faz da vida, qual a sua ocupação?
- Sou estudante
- Você estuda desenho?
- Não
- Você estuda economia?
- Não
- Você estuda medicina? (mais uma vez)
- Não!
- Você estuda o que então?
- Jornalismo
- Ahhhh que bom ... repórter ... bom, né?
- É
Alguns segundos de silêncio, até que eu quaaaaseee pensei "desist..."
- Moça?
- Oi?
- Eu não sou nada! Eu sou um bêbado duro. Eu sei filosofia, eu conheço matemática, eu sei desenhar. Se você colocar uma prova na minha frente, eu faço tudo isso, eu desenho você eu desenho qualquer coisa, eu faço tudo. Eu faço, eu faço, eu faço ...
Logo que sentei no banco, ouvi alguém chamar à minha direita:
- Moça?
Era um senhor, um tanto quanto maltrapilho, aparentando mais de cinquenta. Olhei para ele, ele pensou por um segundo e perguntou:
- Que horas são?
- Dez para as quatro
E voltei a virar o rosto para o lado contrário procurando pelo meu ônibus, quando:
- Moça?
Virei -me novamente,
- Você é feliz?
Olhei à minha volta e pensei, de novo essas coisas só acontecem comigo! Fiquei meio atordoada com a pergunta e com a forma intensa com a qual ele me olhava esperando a resposta. Espiei em volta novamente e procurei por alguém, desta vez para saber se teriam curiosos observando uma "moça" dando satisfação pra um bêbado.
- Sim.
Ele parou por um segundo e insistiu:
- Você é feliz ou é infeliz?
- Sou feliz, respondi
Ele baixou os olhos, pensando na minha resposta e revelou a profunda tristeza que parecia sentir.
Mais alguns segundos e:
- Moça?
Neste momento outras pessoas chegaram ao ponto de ônibus, resolvi ignorá-lo
- Moça?
E o senti vindo para mais perto de mim e cutucando o meu braço. Olhei para ele
- Você é médica?
- Não
Percebi que os outros já começavam a olhar para aquela conversa bizarra.
A cada pergunta, uma resposta breve e a cabeça virada para o outro lado para ver se ele desistia.
- Moça? O que você faz da vida, qual a sua ocupação?
- Sou estudante
- Você estuda desenho?
- Não
- Você estuda economia?
- Não
- Você estuda medicina? (mais uma vez)
- Não!
- Você estuda o que então?
- Jornalismo
- Ahhhh que bom ... repórter ... bom, né?
- É
Alguns segundos de silêncio, até que eu quaaaaseee pensei "desist..."
- Moça?
- Oi?
- Eu não sou nada! Eu sou um bêbado duro. Eu sei filosofia, eu conheço matemática, eu sei desenhar. Se você colocar uma prova na minha frente, eu faço tudo isso, eu desenho você eu desenho qualquer coisa, eu faço tudo. Eu faço, eu faço, eu faço ...
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