No alto de seus 28 anos, o crítico Fabiano Ormaneze conta qual é a sua
relação com o pensar e o escrever artístico em detrimento do fazê-lo.
Crítico de arte desde os 23, Fabiano Ormaneze, jornalista e professor, vive da arte, mas não é um artista e conta qual é a sua posição entre ser um estudioso e discorrer sobre atividades as quais não pratica.
Porque escrever especialmente sobre arte?
A arte sempre me atraiu, desde as aulas de Educação Artística do colégio. Mas sempre gostei de saber sobre a vida dos pintores, dos movimentos artísticos. O gosto pela arte me é inerente e então escrever sobre a arte é uma forma que tenho de aproximar-me dela.
Qual das vertentes da arte é a que mais lhe atrai?
Na verdade a minha paixão sempre foi a literatura. Então pensar e escrever a arte no jornalismo funcionam para mim como uma extensão a esta minha paixão, inclusive para as outras tantas formas de arte.
Você já tentou ser um artista? Quando?
Não diria que tentei ser artista, mas que já estive mais ligado ao fazer artístico. Durante minha adolescência, fiz teatro por aproximadamente quatro anos. Além disso, já pintei umas telas. Nunca tentei escrever uma ficção, me realizo muito mais pensando a arte...
Escrever sobre arte pode ser um tipo de arte?
Não. Escrever sobre arte é apenas refletir sobre arte, estudá-la, compreendê-la melhor. Sou contra esse desgaste que as pessoas promovem no conceito de arte... Tipo: "crítica é a arte de escrever sobre as manifestações dos artistas"... Isso não é arte. Não considero que escrever sobre arte seja fazê-la, são coisas diferentes.
Em suas aulas sobre crítica de arte, você já disse que a crítica permite ao autor a liberdade de criar "novas metáforas", isso te realiza?
Na verdade, o jornalismo literário utiliza algumas técnicas da literatura na produção do texto. E literatura é arte. Essa preocupação estética do jornalismo literário faz com que ele tenha um pouco de arte. Sou feliz com o que faço.
Estar tão próximo à arte, mas não ser o “artista no palco”, alguma vez lhe frustrou?
Não, de forma alguma.
O que diferencia uma pessoa simplesmente apaixonada pela arte, como você, de um artista?
O artista é um persistente, está em constante busca de um estilo, de uma técnica, de reconhecimento. Eu diria que o jornalista que se especializa nesta área também tem todas essas características, com uma diferença: em vez de levar para a arte sua percepção de mundo, como faz o artista, o crítico leva para os jornais sua percepção de arte.
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