Era festa, era noite e eram os amigos de sempre. Ela estava tão completa de si mesma que mal percebia o mundo alheio. A não ser aquele que estava a seus pés. Foi olhando para eles que a outra apareceu. Tão dedicada, que abriu mão de si mesma para a ela agradar. Não era alguém, era seu orgulho travestido de puro amor e com uma personalidade deixada para trás. Ela, num gesto de passageira gratidão agradece a outra com um beijo.
Não é mais noite, nem é mais festa. O médico diz que sua doença está em seu coração, que é frágil como espuma e vai inevitavelmente desfazer-se num sopro. Ela se resigna em pensar que não vai mais existir. O que a conforta é distrair-se com o desespero da outra em ver-se sem ela, enquanto imagina que sua irmã faria corações de porcelana para os amigos, como uma homenagem póstuma.

Quanta sensibilidade.
ResponderExcluir*Tocada!