Chego em casa atrasada, mas ainda assim a tempo de ver algumas cenas do último capítulo da novela. Deixo a bolsa na mesa, os sapatos pelo caminho e me jogo em frente a TV. Foi quando me dei conta de que o sinal da TV a cabo estava falhando e logo pensei, é muito azar!
Mas, se estou sem tv... bingo! Também estava sem telefone e sem internet. Que coisa! Como seria possível? Em uma noite de sexta-feira, quando todos que gosto estão longe e completamente desconectada do mundo. Senti todas as tvs do condomínio ligadas no mesmo canal à minha volta. Me deitei e olhei para o teto, entendi. Parecia que uma força maior não queria que eu e afastasse dos meus pensamentos, nem destas linhas aqui que tenho adiado há tempos. A novela era minha fuga, mas acabei perdendo o trem.
Hoje o meu dia não foi legal. A semana havia sido, mas o dia não. Também não sei muito bem o que me deu, provavelmente foi o julgamento de mim, em que fui juíza e réu.
Sou competente o suficiente? Ou então, sou tão arrogante assim? Está mesmo tudo errado neste mundo ou a errada definitivamente sou eu? Como não me decepcionar com pessoas que admiro? Enfim...
Liguei para o meu pai pelo celular, tentei ser o mais rotineira possível, mas ele percebeu, ele sempre percebe. “O que foi filha, parece que está meio triste?”. Não pai, cansada só, sexta-feira...
Enquanto escrevo, olho de novo para o celular. Vou ligar para o meu namorado. Mas não quero dizer para ele que está tudo bem, não gosto de não me ser em, apesar de não estar com a mínima vontade de falar sobre isso. Vou fazer como sempre faço, conto meu dia apressadamente, digo que vai passar, que é assim mesmo e termino logo com isso, pronto.
Por fim, me conformei. Assisto o reprise amanhã.
Nenhum comentário:
Postar um comentário