E eis que surge o incomodo.Foto: Amanda Borsonello
Como? Como lidar e aceitar o comportamento alheio sempre vindo de encontro ao meu tão mais perfeito, justo, correto e bonito mundo particular?
O salgado que comi não tinha sal suficiente no recheio. Deus do céu! Como é que alguém pode gostar de uma coisa tão sem sal?
Eu brigo e contesto a tese religiosa que prega o meu professor da universidade (católica). Mas então, buscando uma posição no mínimo ética, aprendo a respeitar as religiões, já que optei (optei?) a não pertencer a nenhuma delas. Devo ser tolerante com os que crêem em coisas que não creio existir (ou pelo menos não concordo serem corretas).
A empresa à qual presto serviços requer que eu seja uma funcionária satisfatória (que cumpra metas) para que ao final de todo o efeito dominó ao qual pertencem todos que trabalham neste mesmo lugar, a própria empresa cresça. Isso tudo obedecendo à ordem do capitalismo ocidental (smithiano) que diz que o reino dos céus (reino dos céus = pertencer à percentagem daqueles que detêm o maior número de bens) irá ser dos que mais estudarem (intelecto), para conseguirem os melhores empregos (status), que possuem os melhores salários (capital), visando alcançar a plenitude aparentemente funcional da vida moderna (felicidade). O que prova que o desenvolvimento intelectual se resume a testes de QI e conhecimento técnico-científico, além de uma pitada de discurso artístico-subjetivo que sempre passa uma boa impressão, como, por exemplo, mandar uma carta ao namorado com um poema de Augusto dos Anjos e (tentando ser) dizer aos outros que é romântico.
Não se é mais o que lhe preenche, mas sim o que reflete ... você será feliz quando eu olhar para você e souber que você é feliz profissional e sentimentalmente. Além de ser no mínimo “bonitinho”, é claro. Felicidade é então sinonimo de vaidade e ego inflado. Mas e depois? E depois que você conseguir tudo isso? Isso lhe preenche?
O salgado que comi não tinha sal suficiente no recheio. Deus do céu! Como é que alguém pode gostar de uma coisa tão sem sal?
Eu brigo e contesto a tese religiosa que prega o meu professor da universidade (católica). Mas então, buscando uma posição no mínimo ética, aprendo a respeitar as religiões, já que optei (optei?) a não pertencer a nenhuma delas. Devo ser tolerante com os que crêem em coisas que não creio existir (ou pelo menos não concordo serem corretas).
A empresa à qual presto serviços requer que eu seja uma funcionária satisfatória (que cumpra metas) para que ao final de todo o efeito dominó ao qual pertencem todos que trabalham neste mesmo lugar, a própria empresa cresça. Isso tudo obedecendo à ordem do capitalismo ocidental (smithiano) que diz que o reino dos céus (reino dos céus = pertencer à percentagem daqueles que detêm o maior número de bens) irá ser dos que mais estudarem (intelecto), para conseguirem os melhores empregos (status), que possuem os melhores salários (capital), visando alcançar a plenitude aparentemente funcional da vida moderna (felicidade). O que prova que o desenvolvimento intelectual se resume a testes de QI e conhecimento técnico-científico, além de uma pitada de discurso artístico-subjetivo que sempre passa uma boa impressão, como, por exemplo, mandar uma carta ao namorado com um poema de Augusto dos Anjos e (tentando ser) dizer aos outros que é romântico.
Não se é mais o que lhe preenche, mas sim o que reflete ... você será feliz quando eu olhar para você e souber que você é feliz profissional e sentimentalmente. Além de ser no mínimo “bonitinho”, é claro. Felicidade é então sinonimo de vaidade e ego inflado. Mas e depois? E depois que você conseguir tudo isso? Isso lhe preenche?
tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac
(tempo para reflexão)
(tempo para reflexão)
...
Independente da resposta que me der eu sei que você dirá que sim. Eu provavelmente diria.
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