
São Paulo, 28 de março de 2009.
Em um apartamento tradicional, no tradicional Jardins, comemorava-se o aniversário de uma paulistana tradicionalíssima: 72 anos.
Dentre os convidados estavam o vizinho e sua esposa, senhores já de idade. Ele puxou assunto falando de futebol e logo pulou para a política. Não demorei a perceber que era do tipo que gostava de discussões proibidas.
Foi quando se revelou: - Sou um ditador! Eu estava aqui em 64, era soldado do exército e combati o Lula, o Fernando Henrique, O Genuíno, o Zé Dirceu, a Dilma e toda essa corja que você conhece!
Sim, ele gostava de assuntos proibidos.
Dentre suas frases de impacto estavam:
"Sou suíço, vim para cá ainda bebê"
"Queriam tomar as fazendas de meu pai"
"Os lulistas nos perseguem porque temos olhos azuis"
"Os socialistas eram bandidos, queriam roubar a gente"
"O único político bom que conheci, foi o que nasceu morto da barriga da mãe"
Nesse meio tempo, sua esposa, entrou na conversa. Foi quando ele perguntou o que eu temia: - Você é de esquerda ou direita?
Já sua esposa resolveu ser mais específica. Depois de contar sua experiência com o golpe político há mais de quarenta anos ("eles tentaram invadir o comércio do meu pai, queriam nos matar"), ela fechou o foco em Lula.
"Ninguém sabe, mas o Lula tem uma casa aqui perto e em frente à sua residência ele não deixa nenhum pobre passar. Além disso, o casamento dele é apenas fachada, na verdade ele não vive com a mulher, tem uma amante. As pessoas não sabem dessas coisas, uma jovem como você tem que nos ajudar a divulgar".
Quando tentei argumentar que, na verdade, só o que toda uma sociedade busca é seu próprio espaço, ela contra-argumentou: "mas antigamente os pobres nos respeitavam". E ele reclamou: "não podemos sequer sair com nossas jóias na rua".
Já no final da conversa (?) ilustrou: "Nós, fazemos amor, já o povo só faz sexo".
... ele concluiu que eu era socialista.
E mesmo olhando pela janela do alto de um apartamento dos Jardins Paulistas, ainda fico do lado dos pobres e da liberdade sexual.
Mas eram boas pessoas.
Em um apartamento tradicional, no tradicional Jardins, comemorava-se o aniversário de uma paulistana tradicionalíssima: 72 anos.
Dentre os convidados estavam o vizinho e sua esposa, senhores já de idade. Ele puxou assunto falando de futebol e logo pulou para a política. Não demorei a perceber que era do tipo que gostava de discussões proibidas.
Foi quando se revelou: - Sou um ditador! Eu estava aqui em 64, era soldado do exército e combati o Lula, o Fernando Henrique, O Genuíno, o Zé Dirceu, a Dilma e toda essa corja que você conhece!
Sim, ele gostava de assuntos proibidos.
Dentre suas frases de impacto estavam:
"Sou suíço, vim para cá ainda bebê"
"Queriam tomar as fazendas de meu pai"
"Os lulistas nos perseguem porque temos olhos azuis"
"Os socialistas eram bandidos, queriam roubar a gente"
"O único político bom que conheci, foi o que nasceu morto da barriga da mãe"
Nesse meio tempo, sua esposa, entrou na conversa. Foi quando ele perguntou o que eu temia: - Você é de esquerda ou direita?
Já sua esposa resolveu ser mais específica. Depois de contar sua experiência com o golpe político há mais de quarenta anos ("eles tentaram invadir o comércio do meu pai, queriam nos matar"), ela fechou o foco em Lula.
"Ninguém sabe, mas o Lula tem uma casa aqui perto e em frente à sua residência ele não deixa nenhum pobre passar. Além disso, o casamento dele é apenas fachada, na verdade ele não vive com a mulher, tem uma amante. As pessoas não sabem dessas coisas, uma jovem como você tem que nos ajudar a divulgar".
Quando tentei argumentar que, na verdade, só o que toda uma sociedade busca é seu próprio espaço, ela contra-argumentou: "mas antigamente os pobres nos respeitavam". E ele reclamou: "não podemos sequer sair com nossas jóias na rua".
Já no final da conversa (?) ilustrou: "Nós, fazemos amor, já o povo só faz sexo".
... ele concluiu que eu era socialista.
E mesmo olhando pela janela do alto de um apartamento dos Jardins Paulistas, ainda fico do lado dos pobres e da liberdade sexual.
Mas eram boas pessoas.
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